Economia Número de empresas de construção quase dobra em 10 anos no Brasil

Número de empresas de construção quase dobra em 10 anos no Brasil

Setor manteve trajetória de queda no volume de profissionais ocupados e somou 1,9 milhão de trabalhadores em 2018, diz IBGE

  • Economia | Alexandre Garcia, do R7

Construção de edifícios representa 45% do setor

Construção de edifícios representa 45% do setor

Márcio Fernandes de Oliveira/Agência Estado - 2. 9.2013

A quantidade de empresas do setor de construção ativas no Brasil voltou a crescer e alcançou 124,5 mil em 2018. O número é 1,3% superior ao de 2017 e 95,7% maior do que o registrado em 2009, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (27), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o IBGE, “houve uma mudança estrutural importante na indústria da construção” no período entre 2009 e 2018. “A construção de edifícios passou a ser o segmento mais representativo, enquanto as obras de infraestrutura, que geravam a maior parcela do valor de obras em 2009, ficaram em segundo lugar em 2018”, aponta a PAIC (Pesquisa Anual da Indústria da Construção).

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Os dados de 2018 apontam que a construção de edifícios representa 45,5% de toda participação no valor de incorporações, obras e serviços (R$ 126,5 bilhões). Apesar de liderar o segmento, o valor movimentado pelo subsetor foi o menor desde 2011.

Na sequência, figuram as obras de infraestrutura, que desabaram 15,2 pontos percentuais no período de 10 anos e agora representam pouco mais de 30% do setor no Brasil, movimentando R$ 87 bilhões. Já os serviços especializados para construção, correspondem 26,16% do segmento, com participação na casa dos R$ 64 bilhões.

De acordo com a PAIC, "a concessão de crédito habitacional em condições mais facilitadas, a expansão dos programas habitacionais e o aumento do poder de compra das famílias" contribuíram para o aumento do segmento de construção de edifícios nos últimos 10 anos.

Empregos

A PAIC destaca ainda que o salto no número de companhias não impulsionou a quantidade de trabalhadores do setor de construção, que fechou 2018 com 1,869 milhões de empregados após cinco anos seguidos de queda. Na comparação com 2009, o número de ocupados pela construção ficou 9,67% menor.

A maior parte dos empregos e empresas aparece no segmento de construção de edifícios, com mais de 702 mil pessoas ocupadas. Já os setores destinados a obras e infraestrutura e serviços especializados da construção contam com 547.642 e 619.897 profissionais empregados, respectivamente.

Proporção salarial da construção ante o mínimo em 2018 foi a menor desde 2009

Proporção salarial da construção ante o mínimo em 2018 foi a menor desde 2009

Marcos Santos/USP Images

Em termos salariais, os empregados do setor da construção receberam uma remuneração média mensal na faixa de 2,3 salários mínimos (R$ 2.194), menor valor registrado nos últimos 10 anos. Ao todo, os pagamentos salários, retiradas e outras remunerações somaram R$ 53,3 bilhões em 2018.

Apesar de ter sofrido a maior retração proporcional dos últimos 10 anos, de mais de meio salário mínimo, o segmento de obras de infraestrutura manteve a tendência histórica e permaneceu com a remuneração média mais elevada da construção, de cerca de 2,8 salários mínimos (R$ 2.671).

As remunerações pagas nas atividades de construção de edifícios e serviços especializados, por sua vez, mantiveram-se com uma média de 2,1 salários mínimos, preservando o mesmo desempenho apresentado ao longo da década.

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