OGX, de Eike, sabia de perspectiva ruim de produção há mais de um ano
Empresa optou por não avisar a investidores sobre revisão de números de petróleo, diz jornal
Economia|Do R7

Desde o início do segundo semestre de 2012, a diretoria da OGX, empresa de Eike Batista, tem conhecimento sobre a menor capacidade de produção de petróleo na bacia de Campos (RJ). Documentos revelados pelo jornal Folha de S. Paulo deste domingo (3) revelam que, mais de um ano antes de a companhia acumular dívida de R$ 11,2 bilhões e pedir recuperação judicial, a cúpula já sabia que as reservas de Campos equivaliam a somente 17,5% do total que havia sido divulgado para o mercado.
A avaliação foi feita por engenheiros de reservatório da OGX e uma consultoria externa em julho do ano passado. Eles atestaram que as áreas de Campos poderiam gerar 315 milhões de barris de petróleo. A projeção inicial da empresa era muito mais expressiva: 1,8 bilhão de barris.
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O problema levantado pela Folha é que essa revisão de números não foi divulgada pela OGX. Os acionistas da empresa, portanto, não ficaram sabendo que a quantidade de barris de petróleo e, consequentemente, o lucro seriam menores. Na semana passada, o valor das ações da OGX estava sendo negociado a R$ 0,13.
A OGX afirma em nota que manteve o mercado sempre atualizado sobre sua produção, "evitando a divulgação de informações incompletas".
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A análise feita em julho de 2012 foi um pedido do então novo presidente da OGX, Luiz Carneiro, que queria entender a real situação da empresa. O relatório mostrava, por exemplo, que o campo de Tubarão Azul só seria comercialmente viável até 2013. E foi apenas em julho deste ano que a OGX decidiu abandonar os investimentos na área.














