Economia Oitenta e um países têm gasolina mais cara que a do Brasil; em Hong Kong, ela custa mais que o dobro 

Oitenta e um países têm gasolina mais cara que a do Brasil; em Hong Kong, ela custa mais que o dobro 

Ranking mundial mostra que abastecer poderia ter peso maior no orçamento nacional, mas situação também poderia ser melhor: na Venezuela, o litro custa 2% do que pagamos

Em 88 países, gasolina é mais barata que aqui

Em 88 países, gasolina é mais barata que aqui

Edu Garcia/R7 - 10.03.2022

Pense duas vezes na hora de criticar o quanto o motorista brasileiro gasta nos postos. Os preços do país estão longe de ser os mais caros do mundo.

De acordo com o ranking dos litros de gasolinas mais valiosos do planeta, do site GlobalPetroPrices.com, estamos no 82º lugar mundial, com o preço médio de US$ 1,30 custando menos da metade do que se paga em Hong Kong, primeira colocada (US$ 2,87).

Mônaco (US$ 2,47), Holanda e Finlândia (ambos com US$ 2,43) vêm na sequência com as gasolinas mais salgadas na relação divulgada pela Global Price na segunda-feira (14).

Claro que os preços poderiam ser mais baixos no Brasil. Se são 81 países cobrando acima do valor do nosso combustível, um número ainda maior, de 88 nações, têm a gasolina mais em conta. 

Os destaques com as gasolinas a preço de banana ficam para dois grandes produtores de petróleo. A Venezuela é que tem o menor valor (US$ 0,025), ou menos de 2% do que se cobra no Brasil.

A Rússia aparecia com o 11º melhor preço em 14 de março: US$ 0.431. O prolongamento da invasão à Ucrânia, no entanto, e as sanções internacionais aos produtos do país devem elevar a inflação para os motoristas. 

A advogada Luciana Reis, especialista no setor de óleo, gás, infraestrutura, energia e direito contratual, diz que é natural que mesmo os países produtores adotem preços internacionais. 

"Essa lógica também se aplica ao Brasil. Embora sejamos autossuficientes em produção de petróleo e, inclusive, somos exportadores, o país não possui infraestrutura de refinarias para produzir todo o combustível internamente, estando sujeito à volatilidade do preço", analisa Luciana.

Ela acrescenta ainda que o preço da gasolina na bomba é composto, aproximadamente, por 35% do custo da gasolina, 15% do custo do etanol anidro, 10% de custos e lucro de distribuição e revenda, 40% de tributos federais e estaduais. "Ou seja, também estamos sujeitos à commodity cana-de-açúcar e aos impactos na produção, além de uma pesada carga tributária, o que faz com que a gasolina não seja ainda mais barata por aqui."

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