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Onde investir em tempos de guerra: renda fixa é melhor opção, mas há espaço para apostas

Economista Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos, diz que decisão mais difícil do mercado no momento é se vale ou não a pena apostar na moeda americana

Economia|Do R7

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Dinheiro no colchão não é uma alternativa
Dinheiro no colchão não é uma alternativa PIxabay

O tumulto que tomou conta da economia mundial com a invasão russa da Ucrânia deixa os investidores do Brasil assustados, mas há sempre boas oportunidades na crise, diz o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti.

De acordo com ele, a alta da taxa Selic no Brasil, que saltou de 2%, no início de 2021, para 10,75%, tornou mais atrativas as opções de renda fixa, mais seguras e que podem pagar até 13% ao ano.


Essa mesma lógica fez impulsionar a chegada de investidores estrangeiros ao país. Eles vêm atrás de rendimentos certos em aplicações que pagam muito mais do que as opções das Bolsas do exterior. 

O analista aposta em uma Selic de 11,75% em curto prazo, um ponto percentual a mais em comparação com a atual. "Com isso, teremos investimentos ainda maiores de fora."


Bertotti conta que até quarta-feira (9) os investidores estrangeiros aportaram no Brasil R$ 71,06 bilhões, mais do que em todo o ano passado, quando o total de superávit (entrada menos saída) ficou em R$ 70 bi.

"Essa taxa de juros proporciona ótimas aplicações em renda fixa, em grandes bancos nacionais, por exemplo, que são ativos mais seguros e os mais buscados em momentos instáveis como o de agora."


Ele diz que o Brasil é hoje o principal destino de recursos entre os países emergentes.

Apostas

Segundo Bertotti, não é recomendável apostar todas as fichas em um único segmento, portanto é bom olhar com atenção algumas opções de renda variável, principalmente de empresas que têm chances de se valorizar com o conflito no Leste Europeu. Essa opção vale mais para os investidores com perfil arrojado.


Dicas: ações ligadas ao setor de commodities e grandes companhias nacionais com nome consolidado, saúde financeira e que podem ganhar mercado na atual crise.

"Eu acho que o Brasil pode aumentar sua relevância no mercado de commodities, por isso vejo que em parte ele se beneficia com a guerra, principalmente com as sanções econômicas à Rússia, que deixam seus produtos mais atrativos."

Em sua opinião, 2021 foi um ano complicado para o país no que se refere à Bolsa de Valores (B3), mas as empresas se mostraram firmes, com bons resultados financeiros mesmo assim.

"Por isso vejo no cenário de agora boas aplicações tanto em ativos mais seguros, de renda fixa, mas também em artigos de renda variável", justifica.

O economista diz que, algumas exceções à parte, as empresas brasileiras reportaram crescimento grande em 2021.

Outras companhias, dos setores de varejo e construção civil, que vêm seus papéis cada vez mais fracos por causa da falta de crédito no mercado, da inflação alta e do baixo poder de compra dos consumidores brasileiros, estão muito desvalorizadas, mas, por serem saudáveis financeiramente, podem ficar no radar para apostas mais ousadas.

Incertezas vão se manter por algum tempo

"As incertezas são inúmeras, tanto no campo social quanto na questão econômica. Esses bloqueios e restrições à Rússia trazem muitas preocupação. A maior delas é uma inflação global, boa parte dela causada por commodities de energia, e o fato de a Rússia ser um player do petróleo preocupa muito."

Ele acredita que a inflação deve persistir por muitos meses no mundo inteiro e que o poder de consumo global vai se reduzir. 

"Com essa inflação alta, a política monetária do mercado internacional vai mudar. Acredita-se que o Fed [banco central dos Estados Unidos] está até atrasado na retirada de estímulos, por isso se espera em março o aumento dos juros de 0,25 ponto percentual ou 0,50."

Moeda americana

Gustavo Bertotti afirma que, apesar de o dólar ser a moeda mais forte do mundo e a mais procurada como porto seguro dos investidores, apostar ou não nela é, no momento, a decisão mais difícil a ser tomada no mercado. 

"O dólar no Brasil se desvalorizou porque entrou muito recurso de fora com os juros atrativos. Continua sendo uma fuga sem grandes riscos, um investimento de proteção importante. Nada indica que ficará abaixo de R$ 5", explica. 

Segundo o economista, é preciso ter em mente que todos os nossos problemas domésticos, que incluem discussão sobre teto fiscal, inflação, baixa produtividade da indústria e eleição presidencial, continuam, mas, neste momento, estão abafados pela guerra. "Esses fatos vão voltar à tona, e isso pode gerar mais instabilidade."

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