Países resistentes ao acordo entre UE e Mercosul devem mudar de ideia quando benefícios chegarem, diz economista
Bloco europeu aprovou tratado após mais de 25 anos de negociações mesmo com países contrários
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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A União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre-comércio com o Mercosul após 25 anos de negociações. Com a aprovação, a presidente da comissão europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar a Assunção, no Paraguai, para assinar o acordo comercial na próxima segunda-feira (12).
A decisão aconteceu durante uma reunião de embaixadores do bloco europeu em Bruxelas, na Bélgica, mesmo com a oposição de alguns países, como França e Irlanda. Os votos contrários foram justificados por uma suposta concorrência desleal com os agricultores locais.
No entanto, outros membros do grupo passaram a apoiar a negociação após garantia de benefícios oferecidos pela UE a seus produtores, como o aceito pela Itália nesta quarta-feira (7) e que envolve redução de impostos e investimentos na casa dos R$ 280 bilhões.

A negociação entre os blocos deve formar a maior área de livre comércio do mundo, com benefícios significativos para o Brasil. A maior economia da América Latina deve exportar para o grupo europeu, principalmente, produtos como carne, arroz e açúcar.
Mesmo com um período para a implementação, que pode levar até cerca de dez anos, o economista Miguel Daoud aponta que a aprovação do tratado já é um grande passo e dá um direcionamento de quais são as próximas etapas para os entes envolvidos.
Ele aponta que o comércio deve movimentar cerca de US$ 1 trilhão (R$ 5,3 trilhões, na cotação atual) e beneficiar os 720 milhões de habitantes dos dois blocos, o que deve exigir mais investimentos principalmente nos países sul-americanos em tecnologia e capacitação.
“Hoje nós temos um contingente de quase 50% na nossa força de trabalho, trabalhando no sub-emprego, fazendo entrega, tendo serviços que não têm nada a ver com uma construção de uma atividade econômica, e isso vai exigir também você investir muito em qualificação para que esses trabalhadores possam integrar uma indústria mais tecnológica para ter essa competição”, comenta.
Em entrevista ao Alerta Brasil desta sexta, o economista ainda acalma a população e empresários que possam ter algum tipo de temor de perder espaço ou ver o aumento do preço no Brasil de produtos, como carnes. Por ter anos de negociação, o acordo já possui cotas que limitam a venda de produtos para não afetar tanto a população local, os principais compradores, assim como os empresários dos países destinatários.
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Ele também destaca que a situação pode ser contrária, com uma diminuição de preços ou aumento da qualidade dos bens brasileiros, uma vez que os itens europeus são conhecidos por sua qualidade e estarão presente no mercado, algo já visto atualmente mesmo sem o acordo.
“Você vai ao supermercado, em grandes redes aqui, você encontra, vou dar um exemplo, maçã vinda da França que é mais barata que a nossa maçã aqui. Uma custa R$ 19 o kg, a nossa, e a outra R$ 17, na área em que eles estão contestando. Agora, vamos imaginar roupas, imaginar máquinas, produtos eletrodomésticos, uma série de produtos que vão beneficiar muito o Brasil”, completa Daoud.
Mesmo sem o apoio de um grande player, como a França, o economista acredita que a aprovação já abre novos horizontes otimistas e deve mudar a opinião dos membros contrários a partir do momento em que os lucros e benefícios das negociações começarem a surtir efeito.
“Então, a notícia em si, que esse acordo pode começar a andar, não vai ser fácil, porque a gente vê a França aí relutando, tem outros países, mas na medida em que a situação for acomodando, a percepção é muito grande diante da vantagem que ambos os blocos têm com esse acordo, porque é muita gente, muito dinheiro”.
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