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Pela quinta vez seguida, Banco Central mantém Selic em 15%, maior patamar em quase 20 anos

Copom informa que, se o cenário esperado se confirmar, deve começar a reduzir os juros já na próxima reunião, em março

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva.
  • A decisão do Copom ocorreu durante a "superquarta", com anúncios simultâneos dos EUA e Brasil.
  • Taxas de juros elevadas visam controlar a inflação e impactam o crédito e o crescimento econômico.
  • Expectativa de estabilidade nas taxas até a próxima reunião do comitê em 45 dias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Sob o comando de Galípolo, BC mantém Selic em 15% ao ano Raphael Ribeiro/BC - 18.12.2025

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28), de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A expectativa predominante entre analistas financeiros indicava estabilidade no patamar atual, o maior desde 2006.

Essa taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.


No comunicado, o BC destacou que o ambiente externo segue incerto, principalmente em razão da conjuntura econômica e da política adotada pelos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Segundo a autoridade monetária, esse cenário, somado às tensões geopolíticas, exige maior cautela por parte dos países emergentes.

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O Copom informou que, se o cenário esperado se confirmar, pode começar a reduzir os juros já na próxima reunião, em março, mas destacou que seguirá mantendo um nível de restrição suficiente para garantir a convergência da inflação à meta.


Segundo o Comitê, o compromisso com o controle dos preços exige cautela em relação ao ritmo e à intensidade dos cortes, que vão depender da evolução dos indicadores e do grau de confiança no cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante da política monetária.

No cenário doméstico, o Copom avaliou que os indicadores econômicos seguem mostrando moderação no crescimento da atividade, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente.


“A inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz a nota.

Os diretores ressaltaram ainda que os riscos para a inflação seguem elevados, tanto de alta quanto de baixa. Entre os riscos de alta, estão a desancoragem prolongada das expectativas, a maior resiliência da inflação de serviços e impactos inflacionários de políticas econômicas internas e externas, inclusive por meio de um câmbio mais depreciado.


Do lado das baixas, o Copom cita uma desaceleração mais forte da atividade doméstica, uma piora do cenário global e uma eventual queda nos preços das commodities.

No encontro anterior, em dezembro do ano passado, o comitê manteve a taxa em 15% pela quarta vez consecutiva, após interromper em julho o ciclo de sete altas consecutivas iniciado em setembro de 2024.

Superquarta no Brasil e nos EUA

O anúncio desta quarta-feira ocorreu durante a chamada “superquarta” — quando decisões sobre juros são divulgadas simultaneamente por autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa básica de juros inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75%.

No comunicado, o Fed citou a inflação ainda elevada, juntamente com o sólido crescimento econômico, e deu poucas indicações em sua mais recente declaração de política monetária sobre quando os custos dos empréstimos poderão cair novamente.

Tanto o diretor Christopher Waller, candidato a substituir o chair do Fed, Jerome Powell, quando seu mandato como chefe do banco central terminar em maio, quanto o diretor Stephen Miran, que está de licença de seu trabalho como consultor econômico na Casa Branca, divergiram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica.

Projeções do mercado

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa para a taxa básica de juros no fim de 2026 em 12,25% pela quinta semana consecutiva, segundo o relatório de mercado Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (26).

Já a projeção para o fim de 2027 se manteve em 10,5% pela 50ª semana seguida.

O que é a Selic?

A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção e podem desacelerar o crescimento econômico.

Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, desestimulando a demanda e contribuindo para a contenção da inflação.

Maior nível em 20 anos

Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.

Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%.

Desde então, houve sete aumentos sucessivos, até atingir os atuais 15% — o nível mais elevado desde 2006.

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