Economia Pix impulsiona Brasil ao 'top 5' dos países com mais transações

Pix impulsiona Brasil ao 'top 5' dos países com mais transações

Número de transações em tempo real no País cresceu quase seis vezes no ano passado

Agência Estado
O Brasil subiu da 8ª para a 4ª posição no ranking de transações em tempo real

O Brasil subiu da 8ª para a 4ª posição no ranking de transações em tempo real

MARCELLO CASAL/ AGÊNCIA BRASIL

O sucesso do Pix, sistema de transferências e pagamentos instantâneos do Banco Central, fez o Brasil subir da oitava para a quarta posição no ranking mundial de transações em tempo real, formado por 53 países. O levantamento é encabeçado, nesta ordem, por Índia, China e Tailândia, países populosos e pioneiros nesse tipo de pagamento.

Graças ao Pix, o Brasil viu o número de transações em tempo real crescer quase seis vezes no ano passado, para 8,7 bilhões. O número é mais que o dobro do observado no Reino Unido (3,5 bilhões) e bem acima de Estados Unidos (1,8 bilhão) e Japão (1,7 bilhão).

A análise foi publicada nesta terça-feira, 26, pela empresa de softwares de pagamentos ACI Worldwide e elaborada pela GlobalData e o Cebr (Centre of Economics and Business Research). O estudo, em sua terceira edição, levou em conta todos os membros  do G20, exceto a Rússia, além de países emergentes fora do grupo, somando 53 mercados. A Índia lidera o ranking, com 48,6 bilhões de transações.

Emergentes ocupam as cinco primeiras posições, desbancando os países desenvolvidos. O estudo explica que as economias emergentes têm uma população maior na economia informal, que precisa de liquidez e dinheiro na mão com  muito mais rapidez, pois muitas vezes não têm acesso fácil a crédito, mesmo tendo conta corrente. Essas pessoas aderem com maior facilidade a soluções como o Pix. A ACI acredita ainda que o fato de a adesão ao Pix ter sido  obrigatória e com ampla propaganda pelo BC também contribuiu para seu uso disseminado.

Menor custo


A disseminação dos pagamentos em tempo real no Brasil levou a uma economia de custos estimada em US$ 5,7 bilhões  para consumidores e estabelecimentos comerciais, gerando impacto positivo de R$ 5,5 bilhões no PIB (Produto Interno Bruto).

Até 2026, os autores do estudo estimam que as transações em tempo real no país podem chegar a 82,4 bilhões, o que  geraria uma economia de US$ 37,9 bilhões naquele ano, com impacto positivo de US$ 37 bilhões no PIB - o equivalente a 2,08% do indicador.

Ao permitir que as transferências de dinheiro entre pessoas e empresas ocorram em segundos, ao invés de dias, como no passado, os pagamentos em tempo real melhoram a eficiência da economia, tendo impacto positivo no crescimento da economia, observa Owen Good, da Cebr, no relatório.

Pressão

O estudo aponta que o sucesso do Pix gera pressões sobre participantes tradicionais do setor de pagamentos. Segundo a análise, as companhias que participam dos arranjos enfrentam o desafio de mostrar que conseguem processar, de forma confiável, uma quantidade cada vez maior de transações, sem que isso leve a um aumento nos custos operacionais.

Trata-se de um desafio global. "Os bancos devem reinventar seus sistemas operacionais de missões críticas para competir em um novo ambiente de negócios de tempo real, prevalência da computação em nuvem e dados no centro",  comenta Odilon Almeida, CEO da ACI.

No caso brasileiro, a análise afirma que o Pix começa a substituir não apenas o dinheiro vivo, mas também os cartões. "Como resultado, emissores e adquirentes precisam urgentemente desenvolver serviços com base no Pix para substituir tarifas de transação que estão em queda", diz o relatório.

Mudança global


O Brasil, destaca o estudo, é uma das economias emergentes que vem superando os países desenvolvidos nas  transações instantâneas. Em 2021, os cinco primeiros países no ranking - Índia, China, Tailândia, Brasil e Coreia do Sul - fizeram um total de 92,9 bilhões de operações desse tipo. Para 2026, esse número pode bater em 356,9 bilhões.

Mesmo com o crescimento, os pagamentos em tempo real no Brasil ainda representaram apenas 5,3% do volume total de pagamentos. Pagamentos eletrônicos, como os feitos com cartões, responderam por 29,4% e os em papel (incluindo  dinheiro e cheque) por 65,2%. Mas o estudo aponta que a fatia dos pagamentos instantâneos deve dar um salto para 34% do volume total em 2026, tomando lugar dos cartões e dinheiro.

No mundo, os pagamentos em tempo real somaram 13,8% do total de pagamentos eletrônicos em 2021. A estimativa é de que em 2026 este porcentual seja de 25,6%. Ao todo, foram feitas 118,261 bilhões de transações de pagamentos em  tempo real globalmente no ano passado, crescimento de 64,5%. Esse número deve saltar para 427,7 bilhões em 2026, segundo a GlobalData.

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