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Comércio e setor público sustentam empregos, mas cenário exige cautela em 2026

Apesar do saldo positivo em 2025, especialistas atentam para possibilidade de desaceleração a partir deste ano

Economia|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A taxa de desemprego em 2025 atingiu a menor marca desde 2012, segundo o IBGE.
  • Os setores de Comércio e Administração pública foram responsáveis pelas maiores contratações no ano.
  • A pesquisa Pnad Contínua apontou um avanço modesto, mas significativo, na geração de empregos.
  • Especialistas alertam para uma possível desaceleração deste cenário a partir de 2026.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Setor de Comércio e Serviços mantém crescimento em meio a transformações no mercado de trabalho Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego desde 2012, segundo o mais recente levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre os setores responsáveis pelo avanço das contratações, comércio, serviços e administração pública lideraram a geração de vagas no período.

Os dados fazem parte da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e abrangem o último trimestre de 2025. No intervalo, o setor de comércio, reparação de veículos automotores e bicicletas registrou crescimento de 1,6% no número de ocupados, o equivalente a mais de 299 mil pessoas.


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A área de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais apresentou alta de 1,5%, com cerca de 282 mil novas ocupações.

Para a consultora e especialista em negócios Luana Fernández, mesmo variações percentuais consideradas modestas ganham relevância em segmentos historicamente marcados por dificuldades de preenchimento de vagas, seja por baixos salários ou por jornadas extensas.


“Qualquer crescimento em um mercado já restrito como este é notável. Consequentemente, vislumbramos um avanço em direção ao pleno emprego”, afirma.

Segundo ela, os juros elevados desempenham papel importante nesse movimento, ao impulsionar atividades ligadas ao comércio e a serviços considerados essenciais.


“Com uma renda familiar mais favorável, a demanda por serviços básicos aumenta, o que também estimula a atuação da administração pública”, explica.

A economista e professora da PUC-SP Cristina Helena ressalta que o impacto dos números vai além da variação estatística.


“Estamos falando de setores que concentram um volume muito elevado de trabalhadores. Um aumento de quase 300 mil vagas em apenas um trimestre é significativo em termos absolutos e tem impacto direto sobre a taxa de ocupação”, avalia.

No caso da administração pública, defesa e seguridade social, ela destaca ainda o peso institucional desses segmentos, marcados por regras rígidas e processos de contratação tradicionalmente mais lentos, o que amplia a relevância do crescimento registrado.

Risco elevado

Apesar do bom desempenho em 2025, o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, alerta para sinais de esgotamento do ciclo positivo de geração de emprego e renda.

Dados de 2024 já indicavam uma queda de 23,7% no saldo de empregos formais em 2025, o que, segundo ele, aponta para uma desaceleração na maioria dos setores.

“A política monetária baseada em juros elevados já começa a comprometer o ritmo de crescimento econômico e a capacidade de geração de empregos. Esse cenário reforça a necessidade de discutir um modelo de desenvolvimento que concilie crescimento sustentável, geração de emprego e renda, equilíbrio fiscal e controle da inflação em torno de 4% ao ano”, afirma.

Projeções

Na avaliação de Cristina Helena, um dos principais desafios para este ano está na crescente pressão por qualificação profissional, diante das transformações tecnológicas que alteram tanto os processos produtivos quanto os hábitos de consumo.

Freire projeta um cenário mais adverso caso a política de juros permaneça inalterada, com risco de retomada do desemprego e redução da capacidade de consumo das famílias, o que tende a afetar a atividade econômica como um todo.

Luana Fernández, por outro lado, vê os juros elevados sob uma perspectiva distinta e aposta em avanço rumo a um cenário de maior empregabilidade, com taxa de desemprego abaixo de 5%, desconsiderando a população que não estuda nem trabalha.

“Os dados indicam uma tendência favorável ao plano de empregabilidade, com maior demanda por vagas em relação à oferta de mão de obra qualificada”, conclui.

*Sob supervisão de Leonardo Meireles

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