Economia Preço da cesta básica apresenta recuo em 14 capitais, diz Dieese

Preço da cesta básica apresenta recuo em 14 capitais, diz Dieese

Dez produtos da cesta básica ficaram mais caros em maio; a farinha de trigo subiu 5,58%; já o tomate teve queda de 29% 

  • Economia | Do R7, com Agência Brasil

Consumidores compram tomates em feira livre da cidade de São Paulo

Consumidores compram tomates em feira livre da cidade de São Paulo

Edu Garcia/R7 - 20.04.2022

Em maio, o preço da cesta básica caiu em 14 das 17 capitais brasileiras, na comparação com o mês anterior. A queda mais expressiva, de 7,30%, foi observada em Campo Grande, e a segunda maior, de 6,10%, foi registrada em Brasília. O valor total dos produtos que compõem a cesta também diminuiu no Rio de Janeiro (5,84%) e em Belo Horizonte (5,81%), mas a mais barata foi encontrada em Aracaju, onde o custo médio foi de R$ 548,38.

Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Na comparação anual, entre maio de 2021 e maio de 2022, o preço subiu em todas as capitais brasileiras analisadas pelo estudo. O Recife teve a maior variação, de 23,94%, enquanto em Vitória o aumento foi de 13,17%, o menor observado.

Produtos

Dos 13 produtos que compõem a cesta básica, 10 tiveram aumento nos preços médios em maio, na comparação com o mês anterior: farinha de trigo (5,58%), feijão-carioquinha (4,13%), óleo de soja (2,94%), pão francês (2,58%), leite integral (2,07%), manteiga (1,90%), batata (1,87%), carne bovina de primeira (0,94%), arroz-agulhinha (0,75%) e café em pó (0,37%). Apenas o açúcar refinado não teve alteração de valor. Já o tomate e a banana ficaram mais baratos, com recuos de 29,02% e 2,63%, respectivamente.

O tomate teve o preço reduzido em quase todas as capitais, exceto em Belém, onde subiu 5,42%. As quedas mais importantes foram vistas em Campo Grande (40,04%), Rio de Janeiro (37,77%), Brasília (31,48%) e Belo Horizonte (31,16%). A maior oferta do fruto se deve ao avanço da safra de inverno e à rápida maturação.

No acumulado dos últimos 12 meses, foram registrados aumentos em 12 dos 13 produtos da cesta: batata (76,08%), café em pó (69,81%), tomate (54,37%), açúcar refinado (42,33%), óleo de soja (33,97%), farinha de trigo (26,09%), feijão-carioquinha (24,42%), manteiga (21,70%), leite integral (21,54%), banana (20,20%), pão francês (18,43%) e carne bovina de primeira (9,06%). Apenas o arroz-agulhinha acumulou taxa negativa, de 7,55%.

Cesta mais cara

Em março e abril deste ano, as cestas básicas sofreram aumentos de preço seguidos em todas as capitais. Agora, a maior alta, de 2,99%, ocorreu em Belém, seguida pelo Recife, com 2,26%, e por Salvador (0,53%).

A cesta básica mais cara do país continua sendo a da cidade de São Paulo, mesmo com uma queda de 3,24% em relação a abril – na capital paulista, ela está com custo médio de R$ 777,93. Na comparação com maio de 2021, a cesta teve elevação de 22,24%, e, na variação acumulada ao longo do ano, a alta foi de 12,66%.  

Florianópolis fica em segundo lugar na lista das capitais onde o conjunto dos alimentos básicos pesa mais no bolso do consumidor, com R$ 772,07, seguida por Porto Alegre (R$ 768,76) e Rio de Janeiro (R$ 723,55).

Segundo cálculos realizados pelo Dieese, o trabalhador de São Paulo que recebe o salário mínimo de R$ 1.212,00 precisou trabalhar 141 horas e 13 minutos para conseguir comprar uma cesta básica em maio. Em abril, ele teve que dedicar mais tempo à vida profissional: 145 horas e 56 minutos. No entanto, em maio de 2021, com 127 horas e 17 minutos de expediente, ele já podia comprar os alimentos básicos.

Com base no valor da cesta básica de São Paulo, o órgão calculou que o salário mínimo necessário para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência deveria ser de R$ 6.535,40, o que equivale a 5,39 vezes o valor do salário mínimo atual.

O Dieese diz, em nota: "Considerando o salário mínimo líquido, em maio de 2022, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador precisou comprometer 69,39% da remuneração para adquirir os produtos da cesta básica, que é suficiente para alimentar um adulto durante um mês. Em abril de 2022, o percentual foi de 71,71% e, em maio de 2021, ficou em 62,55%".

Últimas