Economia Produção industrial no país recua pelo segundo mês consecutivo

Produção industrial no país recua pelo segundo mês consecutivo

Retração de março teve predomínio foi puxada principalmente pelo setor veículos automotores, reboques e carrocerias, aponta IBGE

  • Economia | Do R7

Produção industrial teve nova queda em março

Produção industrial teve nova queda em março

Arquivo/Agência Brasil

A produção industrial no Brasil caiu pelo segundo mês consecutivo em março, intensificando as perdas de fevereiro, quando houve a interrupção de nove meses de resultados positivos. O recuo de março foi puxado principalmente pela queda na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Os dados são da PIM (Pesquisa Industrial Mensal), divulgada nesta quarta-feira (5) pelo IBGE. Conforme o instituto, a queda em março foi de 2,4% em relação a fevereiro, mês que já tinha registrado perda de 1%. 

O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que o aprofundamento do recuo do setor industrial, em março, está relacionado à intensificação das medidas de combate à covid-19.

“Esses dois resultados negativos têm como pano de fundo o próprio recrudescimento da pandemia. Isso faz com que haja maior restrição das pessoas, o que provoca a interrupção das jornadas de trabalho, paralisações de plantas industriais e atrapalha toda a cadeia produtiva, levando ao encarecimento e à falta de insumos para o processo produtivo. Isso afeta o processo de produção como um todo”, diz.

O pesquisador destaca que, de maio de 2020 a janeiro de 2021, houve ganho acumulado de 40,1%, o que fez a produção industrial superar o patamar pré-pandemia. “Nesse período, houve um ganho de 3,5% acima do patamar de fevereiro de 2020. Mas, com as perdas de fevereiro e março deste ano, nós zeramos esse acumulado que tinha até o mês de janeiro. De modo que o patamar de março de 2021 é exatamente o mesmo do pré-pandemia”, explica.

Principal influência negativa entre as atividades, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias teve retração de 8,4%, terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando nesse período perda de 15,8%. 

“O recuo nos veículos automotores, reboques e carrocerias foi especialmente afetado pela redução na produção dos automóveis e de autopeças. Houve nessa atividade uma série de interrupções de processos de produção, paralisações e férias sendo concedidas. Isso justifica a queda de 8,4%”, afirma Macedo.

Ainda nas influências negativas, destacaram-se as atividades de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-14,1%), de outros produtos químicos (-4,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,4%), de couro, artigos para viagem e calçados (-11,2%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,5%), de bebidas (-3,4%), de móveis (-9,3%), de produtos têxteis (-6,4%) e de produtos de minerais não metálicos (-2,5%).

Na comparação com março de 2020, a produção industrial cresceu 10,5%, a taxa mais elevada desde junho de 2010 (11,2%). É o sétimo mês de crescimento consecutivo nesse indicador.

O pesquisador explica que o resultado se deve à base de comparação baixa, uma vez que o setor recuou 3,9% em março de 2020 e também ao efeito-calendário. Neste ano, o mês de março teve um dia útil a mais do que no ano anterior.

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