Economia Produção mundial de vinho cai para mínima de 60 anos; Brasil registra salto de 169%

Produção mundial de vinho cai para mínima de 60 anos; Brasil registra salto de 169%

PARIS (Reuters) - A produção mundial de vinhos caiu para o nível mais baixo em 60 anos em 2017 devido às condições climáticas adversas na União Europeia que reduziram a produção no bloco, informou a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

A produção global de vinho totalizou 250 milhões de hectolitros no ano passado, uma queda de 8,6 por cento em relação a 2016, segundo dados da OIV divulgados nesta terça-feira.

O nível é o mais baixo desde 1957, quando a produção caiu para 173,8 milhões de hectolitros, disse a organização com sede em Paris à Reuters.

Apesar da queda no panorama global, o Brasil registrou um salto de 169 por cento em sua produção, passando de 1,3 milhão de hectolitros em 2016 para 3,4 milhões de hectolitros em 2017. O país ocupa a 14ª posição no ranking dos maiores produtores do mundo, segundo dados da OIV.

Um hectolitro representa 100 litros, ou o equivalente a pouco mais de 133 garrafas padrão de 750ml.

Todos os principais produtores de vinho da UE foram atingidos pelo clima rigoroso no ano passado, o que levou a uma queda geral no bloco de 14,6 por cento, para 141 milhões de hectolitros.

As projeções da OIV, que excluem suco e vinho jovem, colocam a produção de vinhos italianos em queda de 17 por cento, para 42,5 milhões de hectolitros, a produção francesa em recuo de 19 por cento, para 36,7 milhões e a produção espanhola em queda de 20 por cento, para 32,1 milhões.

O governo francês informou no ano passado que a produção atingiu uma mínima devido a uma série de más condições climáticas, incluindo geadas da primavera, secas e tempestades que afetaram a maioria das principais regiões produtoras, incluindo Bordeaux e Champagne.

Em contraste, a produção permaneceu praticamente estável nos Estados Unidos, o quarto maior produtor mundial, e na China, que se tornou a sétima maior produtora de vinho do mundo, atrás da Austrália e da Argentina.

As tendências foram misturadas na América Latina, com um aumento de 25 por cento na Argentina, após uma produção muito baixa em 2016 e uma queda de 6 por cento no Chile.

O consumo global de vinhos subiu em torno de 243 milhões de hectolitros em 2017, 1,8 por cento a mais que no ano anterior. Os EUA confirmaram sua posição como maior consumidor mundial de vinho, com 32,6 milhões de hectolitros, seguidos pela França, com 27 milhões.

(Por Sybille de La Hamaide e Pascale Denis)

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