Restaurantes apostam em venda antecipada para garantir sobrevivência

Comércios de alimentos e bebidas tiveram que fechar as portas para cumprir com o isolamento social; porém alguns deles talvez não reabram 

Voucher solidário ajuda restaurantes, bares e cafés a resistirem à crise

Voucher solidário ajuda restaurantes, bares e cafés a resistirem à crise

Reprodução

Resistir em meio à crise tem sido uma tarefa desafiadora especialmente para o setor de alimentos e bebidas. Há pelo menos dois anos, o fluxo de caixa estava baixo para boa parte deles. Com a determinação do isolamento social, comércios como bares, restaurantes e cafés correm o risco de não voltar a abrir.   

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Mas iniciativas visam dar fôlego e colaborar com os negócios em tempos difíceis. Um deles é a venda de créditos antecipados em bares e restaurantes. Os vouchers poderão ser usados como desconto na conta do cliente quando o isolamento social acabar e os comércios reabrirem.

A nutricionista Priscila Sabará, sócia do marketplace Foodpass e pioneira na iniciativa dos vouchers solidários para ajudar o segmento de bares e restaurantes, conta que, segundo um estudo do JP Morgan, o setor é um dos primeiros a sentir os efeitos da crise, logo nos primeiros 16 dias.

"Aquela poupança e fluxo de caixa que os restaurantes e negócios tinham foram usados nos dois últimos anos de crise." Segundo ela, isso faz com que este tipo de estabelecimento não tinha nenhuma reserva para pagar custos fixos, como aluguel e funcionários de portas fechadas.

Priscila Sabará é autora do #apoieumrestaurante

Priscila Sabará é autora do #apoieumrestaurante

Kiko Ferrite

A campanha #apoieumrestaurante têm justamente esta função de ajudar a manter o negócio "rodando" e cada estabelecimento pode ofertar um número de vouchers ilimitado, nos valores R$ 30, R$ 50, R$ 70 e R$ 100.

Priscila conta ainda que a comida já teve uma margem de lucro maior, contudo, devido à competitividade e o mercado altamente profissionalizado, a margem diminuiu com o passar do tempo. "Agora, para um restaurante ter uma margem de 11% de lucro é necessário fazer um controle rígido do estoque, que perecível", explica.

Além disso, a crise culminou com o período seguinte das férias de janeiro e o carnaval, quando os restaurantes têm menor movimento. "A gente tinha uma ótima expectativa para 2020, com vários eventos fechados." 

Iniciativa solidária

Para Maddalena Stasi, chef e sócia do restaurante Mercearia do Conde, os vouchers apoiam e têm dado resultado. O restaurante tem 28 anos e nunca fechou nenhum dia. Agora, com as portas fechadas por causa da pandemia o faturamento caiu 90%, conta a empresária.

Para ela, a prioridade é pagar a folha de funcionários, que somam 28 colaboradores. "Estamos fazendo de tudo para não demitir porque é uma questão humana", ressalta. Maddalena explica que os últimos meses não tinham sido muitos bons e por isso não deu tempo de fazer uma reserva.

"Quando as coisas estavam retomando, tivemos que fechar para cumprir o isolamento social", lamenta. Maddalena concentrou os esforços no delivery e também tem dado bastante atenção para as redes sociais. "Postamos uma receita de uma moqueca vegana para os clientes fazerem em casa", conta.

"Delivery não tínhamos antes e está funcionando, ainda é um pouco novidade. E nós também estamos lançando novidades como pratos que as pessoas podem preparar em casa. Estamos nos adequando", explica.

A empresária conta que ainda aguarda o crédito que o governo está preparando para o setor. Segundo ela, apesar de já existir uma linha específica para o pagamento de salários, é uma dívida, ainda que com juros baixos, e precisará ser paga mais adiante.