Economia Saiba como um PIB negativo pode afetar a sua vida

Saiba como um PIB negativo pode afetar a sua vida

O desemprego é o principal fantasma numa economia em recessão 

  • Economia | Vanessa Beltrão, do R7

Numa recessão, a tendência é o aumento do desemprego

Numa recessão, a tendência é o aumento do desemprego

Marcello Casal Jr./ABr

A situação no momento é delicada. Apesar de acreditarem que o PIB chegue até o final do ano positivo, especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que o momento econômico precisa ser revertido por causa dos riscos iminentes de recessão. Mas o que uma recessão pode afetar a vida de uma pessoa como você?

Em uma economia em recessão, uma das primeiras consequências seria o desemprego. “O que pode vir a acontecer, se a gente tiver uma deterioração da atividade econômica ou mesmo a manutenção da atividade no patamar de hoje que é ruim, se não houver uma recuperação no segundo semestre, isso pode gerar um aumento da taxa de desemprego”, explica o pesquisador da área de economia aplicada da FGV (Fundação Getulio Vargas), Vinicius Botelho.

Com as pessoas sem oportunidades de trabalho, o atual governo perderia uma das suas maiores defesas: enfrentar a crise econômica sem a ocorrência de demissões. Apenas no primeiro semestre deste ano, o Brasil gerou 588.671 vagas de emprego. De acordo com o Ministério do Trabalho, o saldo é maior do que em países como Chile com geração de 53.964 oportunidades, Japão (40 mil) e Austrália (91.320) no mesmo período.

Botelho ressalta que alguns mecanismos foram criados para evitar o desemprego. De acordo com ele, muitas empresas estão recorrendo ao "lay-off", que é a suspensão do contrato de trabalho até que o mercado melhore. Os empresários também têm se beneficiado da política de desonerações de setores feita pelo governo.

"Mas se esse cenário de crescimento muito fraco perdurar, vai ser muito difícil para as empresas segurarem o nível de emprego. A gente incorporou muita gente ao mercado de trabalho. É natural que, em algum momento, a gente não tenha mais tanta gente para admitir em relação às pessoas que a gente demite", diz o pesquisador da FGV.

Para Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, o futuro ainda é incerto, o que deixa o empresariado e o consumidor cautelosos. O resultado são poucos gastos e também um investimento menor. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a confiança dos empresários brasileiros continua nos piores níveis desde 1999.

— Tanto o consumidor, quanto o empresário, de uma maneira geral, estão cautelosos, tentando entender o que vai acontecer para frente... O dinheiro é covarde, ele rapidamente tenta se proteger, é isso que eles estão fazendo, o industrial não investe. Eu entro em shopping e ando por rua, converso com as pessoas e todo mundo não vende de nada. Tem essa preocupação de "eu não vou gastar meu dinheiro".

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Cardoso acredita que tudo ficará mais ajustado apenas após o fim das eleições.

— Eu acho que existe um potencial de reversão, [dependendo] de quem será eleito e de que medidas serão tomadas, demonstrando que existe um alinhamento com compromisso fiscal, redução de gastos públicos e foco no crescimento de infraestrutura, a gente pode ter ao longo do próximo ano um crescimento melhor.

O professor Antônio Correa, do departamento de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), acredita que ainda no segundo semestre, o País possa ter uma leve recuperada, com datas comemorativas como o Natal, além do 13º salário e feriados sem cair em dias úteis.

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