Economia Saída da Ford do Brasil afetará 50 mil empregos, estimam sindicatos

Saída da Ford do Brasil afetará 50 mil empregos, estimam sindicatos

Entidades avaliam que decisão da montadora foi motivada por projeto de reindustrialização adotado pelo governo Bolsonaro

Agência Estado - Economia
Ford fechou fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP)

Ford fechou fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP)

Carla Carniel/Reuters - 12.01.2021

Três das principais entidades sindicais se pronunciaram sobre a decisão da Ford de encerrar a produção de veículos no Brasil com a previsão de que a medida terá impacto sobre 50 mil empregos na cadeia produtiva em torno das três fábricas desativadas da montadora.

A IndustriAll Brasil, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical afirmam, em nota, que a saída da montadora seria consequência da ausência de um projeto de reindustrialização do País por parte do governo do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Na segunda-feira (11), a Ford anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP). A empresa emprega cerca de 5.300 trabalhadores nos três parques industriais.

Leia mais: Bolsonaro sobre Ford: "Faltou a verdade, querem subsídios"

"É incontestável a desconfiança interna e internacional e o descrédito quanto aos rumos da economia brasileira com este governo que aí está. Não se toma uma decisão empresarial como essa sem considerar a total incapacidade do governo Bolsonaro", sustentam as entidades.

O próprio chefe do Planalto é classificado como "um presidente incapaz de conduzir qualquer diálogo sobre a inserção do país no cenário que se configura rapidamente".

IndustriAll, CUT e Força Sindical lembram, também, que a decisão da Ford ocorre após a montadora ter se valido de benefícios e isenções tributárias com base em regimes automotivos vigentes desde 2001.

"No momento em que a indústria automobilística global passa por uma das mais intensas ondas de transformação, orientada pela eletrificação e pela conectividade, assistimos à criminosa omissão, e até boicote, do subserviente governo brasileiro à indústria, com consequências nefastas para a classe trabalhadora", escrevem as entidades.

Últimas