Varejo registra queda de 1,3% em janeiro, aponta índice
No comparativo anual, o setor teve retração de 5,9%; somente um setor, dos oito analisados, registrou alta no comparativo mensal
Economia|Do R7

As vendas do comércio brasileiro recuaram 1,3% em janeiro, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, o volume de vendas apresentou retração de 5,9%. O estudo que acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país, é uma iniciativa da Stone, principal parceira do empreendedor brasileiro.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho do varejo em janeiro reforça um início de ano mais desafiador para o setor.
“Embora o mercado de trabalho ainda apresente resultados robustos e siga sustentando a renda, já há sinais de moderação, enquanto o consumo permanece pressionado por um ambiente financeiro restritivo. Juros elevados, crédito mais caro e um nível historicamente alto de endividamento das famílias continuam limitando o espaço para novas compras. A retração observada tanto na comparação mensal quanto anual indica que o varejo começou 2026 em um patamar inferior ao do ano anterior, mesmo após um 2025 que já havia sido difícil para a atividade”, afirma.
Segmentos
No recorte mensal, apenas um dos oito segmentos analisados apresentou alta em janeiro: Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com crescimento de 1,4%, influenciado pela recente deflação da alimentação no domicílio.
Entre os setores com retração, registraram queda Artigos Farmacêuticos e Combustíveis e Lubrificantes (5,6%), Material de Construção (3,3%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (1,9%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (1,5%), Móveis e Eletrodomésticos (0,3%), enquanto Tecidos, Vestuário e Calçados apresentou estabilidade na comparação mensal.
No comparativo anual, todos os oito segmentos analisados apresentaram retração. A maior queda foi observada em Combustíveis e Lubrificantes (15,1%), seguida por Artigos Farmacêuticos (7,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (6,7%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (5,5%), Material de Construção (4,7%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (4,6%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (4,2%) e Móveis e Eletrodomésticos (2,3%).
Destaques regionais
No recorte regional, apenas um estado apresentou crescimento na comparação anual. O único avanço foi registrado no Amapá (2,9%). Entre os estados com retração nas vendas, os piores resultados foram observados no Rio Grande do Sul (10,2%), Rio Grande do Norte (7,6%), Amazonas (7,3%), Santa Catarina (6,5%), São Paulo e Distrito Federal (6,4%), Espírito Santo (6,2%), Tocantins (5,8%), Paraíba (5,7%), Mato Grosso (5,4%), Ceará (5,3%), Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (5,2%), Paraná (4,9%), Acre (4,8%), Bahia, Pernambuco e Sergipe (4%), Goiás (3,4%), Rondônia (3,3%), Rio de Janeiro (3,2%), Alagoas (2,3%), Roraima (1,1%), Piauí (1%), Pará (0,4%) e Maranhão (0,1%).
Para Guilherme Freitas, os resultados regionais de janeiro reforçam o caráter disseminado da desaceleração do varejo no início de 2026.
“O dado regional mostra um enfraquecimento bastante amplo da atividade, com retrações relevantes em praticamente todas as regiões do país. Mesmo estados que haviam apresentado desempenho positivo em meses anteriores passaram a registrar queda, refletindo o impacto do alto endividamento das famílias e do custo elevado do crédito. O fato de apenas um estado apresentar crescimento anual evidencia que o consumo segue pressionado de forma generalizada, com perdas mais intensas no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste, regiões mais sensíveis às condições financeiras restritivas”, avalia
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