Veja como quitar as dívidas e limpar o nome sujo
Levantamento do SPC Brasil mostra que cerca de 63 milhões de brasileiros estavam com o nome sujo no mês de maio deste ano
Economia|Giuliana Saringer, do R7

O Brasil tem 63 milhões de consumidores com o nome sujo segundo o levantamento de maio do SPC Brasil. A publicitária Muriel Cristina e a assistente de relacionamento Natália Trindade já fizeram parte dos inadimplentes do país, mas conseguiram pagar as dívidas e limpar o nome por meio da renegociação.
A publicitária Muriel Cristina teve que arcar com o nome sujo ao emprestar o cartão de crédito para um familiar, que se descontrolou e gastou muito mais do que deveria. Já a assistente de relacionamento Natália Trindade fez dívidas no começo da vida financeira e também ficou negativada.
Muriel começou a ter problemas para conseguir limites maiores de crédito, por causa das dívidas. “Eu decidi que eu queria reverter essa situação. Quebrei todos os cartões, cortei o acesso a conta para essa pessoa e fui descobrir quanto eu estava devendo”, diz.
A publicitária começou a se organizar e cortar alguns gastos como festas, baladas e restaurantes, juntando tudo que conseguia para acabar com a dívida. “Eu comecei a me organizar, juntando pelo menos metade do que eu ganhava. Chegou uma hora que eu mudei de emprego, peguei rescisão, férias, 13º. Liguei no banco e falei que não tinha 5 mil e tinha 3 mil reais”, explica.
Durante um ano, apertou o orçamento para honrar com as dívidas, buscando sempre negociar e pagá-las à vista.
A assistente de relacionamento Natália Trindade começou a lidar com as dívidas em 2014, aos 18 anos, quando conseguiu um emprego e passou a ter salário. Na época, se descontrolou, usando o cartão de crédito e o limite da conta bancária recém-aberta.
“O cartão de crédito é um poder na nossa mão, principalmente quando você acaba de entrar no mundo financeiro. Você acha que acaba sendo muito fácil, mas acabou não sendo. Eu só consegui limpar depois de dois anos”, conta.
Natália explica que entrou em contato com o banco assim que teve condições de começar a renegociar a dívida, que era de cerca de R$ 1 mil e chegou a R$ 5 mil por causa dos juros. Com a renegociação, pagou por volta de R$ 900, em parcelas.
Segundo o presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos, a renegociação da dívida é importante, mas deve ser feita com atenção. “Não é para dar calote, mas também não é para fazer acordo que não der para honrá-lo”, afirma. Reinaldo fala sobre hábitos financeiros no YouTube, no canal “Dinheiro à vista”.
Para ele, ficar com o nome sujo pode ser a solução para que a pessoa reorganize a vida financeira. “Quando esse momento chega, por mais que seja assustador, é o grande momento da sua vida, de recomeço. De que você retome o controle do dinheiro que entra, que sai”, diz.
Como limpar o nome

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, afirma que o primeiro passo para limpar o nome é resolver o problema assim que possível. Ficar adiando a dívida pode torna-la ainda maior. “Quanto mais você deixar para depois, mais consequências você vai ter, seja o nome sujo, sejam o aumento das dívidas ou o corte de um serviço importante [como água e luz de casa]”, afirma.
Marcela diz que anotar os gastos e receitas são atitudes que todos deveriam ter, para controlar de fato a vida financeira. Assim, fica mais fácil avaliar o que é necessário e o que é apenas um gosto da pessoa, que pode ser cortado por um período para que a dívida seja paga.
Segundo Domingos, assim que a pessoa conseguir realizar o pagamento da dívida, é necessário acionar o credor: “é importante que depois que faça o pagamento, eu peça ao credor que tire o nome do Serasa ou SCP”.
A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, diz que as atitudes preventivas são as mais importantes para não ficar com o nome sujo no mercado. Segundo ela, a economia se recupera da recessão, mas as mudanças ainda não chegaram ao mercado de trabalho e, portanto, ao bolso dos consumidores. A reserva financeira é o primeiro ponto para evitar ficar com o nome sujo.
“A reserva não é fácil de fazer quando o consumidor está com o orçamento apertado. Mas é importante que faça, nem que seja um pouco por mês. Por exemplo, uma família que come pizza toda semana, pode deixar de comer uma vez para economizar R$ 50”, explica.
Outra atitude preventiva é evitar grandes compromissos financeiros, como a compra de um carro. Para ela, o ideal é assumir esse tipo de compromisso somente quando necessário para não criar uma grande dívida.
Endividamento gerou aprendizado
Segundo Muriel, o momento de tensão fez com que aprendesse a não emprestar mais os cartões e também a negociar mais. “Tudo o que eu vou comprar eu tento pagar à vista para ganhar desconto. Se não for a vista, compro no cartão para ganhar milhas”, explica. Além disso, começou a buscar sempre por cupons de desconto, para poder comprar itens e sair com preços mais vantajosos.
De lá para cá, as contas se tornaram prioridade, sendo pagas no dia em que o salário cai na conta. “Eu aprendi a investir o dinheiro para ter o dinheiro se acontecer alguma coisa”, diz, falando sobre a importância de criar uma reserva de emergência para não ficar com o nome sujo de novo.
Natália passou a controlar todos os gastos e receitas, tanto da conta corrente como as despesas do cartão de crédito. “Eu fiquei endividada com besteira. Eu achava que precisava, mas não precisava. Eu era muito nova. Ainda sou nova, mas tenho mais consciência”, diz.
Bancos podem negar crédito?
A inadimplência causa reflexos na rotina de Natália até hoje: “mesmo depois de eu estar mais estável, não consegui um cartão de crédito. Isso acontece até hoje”.
Segundo Marcela, os bancos podem impedir crédito mesmo que a pessoa tenha limpado o nome. “O banco leva em conta várias variáveis: se a pessoa tem emprego, se apresenta garantia e o histórico da pessoa. É direito do banco negar o crédito para quem achar que deve”, explica.
O consumidor pode tentar reverter a situação, construindo um histórico de “bom pagador”. “Se eu fiquei inadimplente, o banco vai negar crédito para mim. Se eu faço tudo direitinho, o banco vai poder olhar de outra forma”, exemplifica.
"Se eu faço tudo direitinho%2C o banco vai poder olhar de outra forma"
Hoje, os bancos só conseguem avaliar os pagamentos que a pessoa realiza na instituição financeira. Com a implementação do Cadastro Positivo, será possível avaliar todo comportamento de pagamentos dos consumidores.














