Consumo de salgadinhos e doces supera frutas nas cantinas, de acordo com o IBGE
Levantamento nacional aponta alto acesso a ultraprocessados nas escolas e baixo consumo de alimentos saudáveis
Educação|Do R7
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O consumo de salgadinhos, biscoitos e doces supera o de frutas entre estudantes brasileiros dentro e no entorno das escolas. É o que revela a PeNSE 2024 (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), divulgada pelo IBGE.
Os dados traçam um retrato preocupante da alimentação de adolescentes de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país.
Em muitos casos, esse acesso ocorre com maior facilidade do que opções saudáveis. A pesquisa indica, por exemplo, que cerca de 81% dos estudantes conseguem comprar salgados no ambiente escolar ou ao redor dele.
Ao mesmo tempo, o consumo de frutas segue baixo. Mais da metade dos estudantes não ingeriu frutas no dia anterior ao levantamento, índice de 51,4%. O cenário também se repete com verduras e legumes, que ficaram fora da alimentação recente de quase metade dos alunos.
No entorno das escolas — as chamadas “vendas alternativas” nos arredores —, 77,1% dos estudantes tinham acesso a refrigerantes, mesmo sendo esse item um dos menos presentes nas cantinas internas. Sobremesas industrializadas e bebidas açucaradas completavam o cardápio disponível para dois terços dos jovens.
Nas cantinas internas, 74,8% dos estudantes podiam comprar suco de fruta — um dos poucos itens mais saudáveis com presença expressiva. A água mineral estava disponível em cantinas para 74,3% dos alunos.
Rotina alimentar
Além disso, alimentos como refrigerantes, biscoitos doces, salgadinhos e sobremesas industrializadas aparecem com frequência na rotina alimentar. Mais de 40% dos jovens relataram consumo desses produtos no dia anterior à pesquisa.
A oferta dentro das escolas ajuda a explicar esse padrão. Cantinas estão presentes em unidades frequentadas por cerca de um terço dos estudantes, com presença maior na rede privada. Já pontos de venda no entorno ampliam o acesso a produtos ultraprocessados.
O levantamento também destaca desigualdades. Alunos de escolas públicas apresentam maior consumo de itens ultraprocessados de baixo custo, como salgadinhos tipo chips e suco em pó.
Merenda escolar ainda não chega a todos
O PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), a merenda escolar, permanece como importante política pública para garantir alimentação a estudantes em situação de vulnerabilidade.
No entanto, a pesquisa mostrou queda na oferta: em 2024, 54,4% dos alunos de escolas públicas estavam em escolas com oferta de alimentação escolar, ante 61,4% em 2019.
Nos anos finais do ensino fundamental, 73,2% dos alunos de escolas públicas frequentavam instituições com oferta de merenda. No ensino médio, o índice cai para 65,1% — muito abaixo da meta de universalização prevista pela política nacional.
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