Educação Estudante de medicina da Universidade de São Paulo acusado de estupro é suspenso

Estudante de medicina da Universidade de São Paulo acusado de estupro é suspenso

Ele será suspenso por 180 dias, sendo assim, impedido de participar da própria colação de grau

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Alunos protestam cobrindo punição ao estudante acusado

Alunos protestam cobrindo punição ao estudante acusado

Sérgio Castro - 08/04/2015 - Agência Estado

Um estudante de FMUSP (Medicina da Universidade de São Paulo) acusado de ter estuprado três alunas da instituição foi suspenso pela universidade. A diretoria da faculdade acolheu relatório da comissão processante que avaliava o caso, denunciado em três momentos pelas alunas, e anunciou, nesta quarta-feira (8), que vai suspendê-lo por 180 dias em razão de "infrações disciplinares". Assim, ele ficará impedido de participar da colação de grau, no dia 14.

A decisão tomada pela diretoria antecipou o resultado de uma reunião extraordinária da Congregação, órgão máximo da instituição, que estava marcada para esta quinta-feira (9). Na ocasião, o resultado final da apuração interna seria apresentado e seria decidido se o aluno colaria grau ou não. Com a decisão do diretor José Otávio Costa Auler Junior, o encontro foi cancelado.

A suspensão do estudante acontece depois de ativistas entregarem ao diretor da FMUSP, nesta terça-feira, uma carta em repúdio à falta de punição nos casos de violência sexual na instituição. As denúncias contra o aluno já existiam, mas a sindicância só foi reaberta depois de a USP ter sido o principal alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou os casos de violência nas universidades paulistas, realizada na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

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O aluno acusado chegou a ser convocado a participar de uma das audiências da CPI, mas não compareceu. A comissão foi criada depois de duas alunas da USP denunciarem, em audiência pública, terem sido estupradas em festas organizadas por alunos da instituição. O relatório final do trabalho, entregue em março, chegou a propor até a proibição de qualquer aluno punido em sindicâncias de participar de concursos públicos.

Uma estudante do 3º ano de Medicina, colega de uma das vítimas, disse estar decepcionada com o resultado. "Acho que o fato de eles terem dado uma punição significa que assumem que ele é culpado. Acho pouco. Uma vez uma aluna foi pega fazendo prova para outra a suspenderam por um ano. Ele é acusado de estupro e suspendem por seis?", disse a estudante, que pediu para não ser identificada. "Ele vai colar grau daqui a seis meses."

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