Jovens cientistas brasileiras são premiadas pela Unesco

Professoras universitárias que desenvolvem pesquisas em diferentes áreas ganharam destaque no programa "Mulheres para as Ciências"

Jaqueline Mesquita premiada pela pesquisa em Matemática

Jaqueline Mesquita premiada pela pesquisa em Matemática

Divulgação

Jaqueline Mesquita precisou do apoio de uma tia para convencer os pais que seu sonho era estudar matemática, não medicina como eles queriam. Hoje, a professora da UnB (Universidade de Brasília) é uma das vencedoras da 14ª edição do programa "Para Mulheres na Ciência" dedicado a jovens cientistas brasileiras.

Foram muitas as barreiras que a Jaqueline precisou superar para conquistar esse reconhecimento. “Na graduação, dos 36 alunos na sala de aula, apenas sete eram meninas”, conta. “Tínhamos poucas professoras lecionando, percebo que falta representatividade feminina na área de exatas e esse prêmio é muito importante para dar visibilidade para a nossa pesquisa, para desconstruir estereótipos e mostrar o quanto a diversidade é importante.”

A pesquisa premiada estuda problemas que envolvem equações diferenciais funcionais. Traduzindo: “Estudo o tempo de causa e efeito. Na prática, um remédio não terá efeito instantâneo, calculo, por meio de equações, esse tempo.”

A pesquisadora Josiane Budni

A pesquisadora Josiane Budni

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Do Sul veio a vencedora na categoria Ciências da Vida, Josiane Budni, professora da Universidade do Extremo Sul Catarinense, pesquisa as relações entre a doença de Alzheimer e os distúrbios do sono.

O interesse pela pesquisa começou na graduação em análises clínicas na Universidade Federal de Santa Catarina. “Fiz mestrado em neurociência e doutorado em bioquímica, no pós-doutorado busquei uma pesquisa própria e observei o aumento de casos de doenças neurodegenerativas com o envelhecimento da população passei a estudar Alzheimer e a relação com a privação do sono”, explica.

“Claro que os recursos vão ajudar na pesquisa, ainda mais neste momento do país, mas o reconhecimento da mulher brasileira cientista é fundamental,” diz. “Conseguimos uma visibilidade maior para o nosso trabalho.”

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Do outro ponto do país, do Pará, Adriana Folador estuda a genética da resistência a antibióticos em pacientes e no meio-ambiente da Amazônia. “A proposta da pesquisa é disponibilizar em uma plataforma todos os dados levantados para que outros pesquisadores também tenham acesso”, conta. “E premiações como essa facilitam a criação de uma rede de colaboradores de diversas áreas, unimos forças, trocamos experiências.”

Adriana Folador pesquisa bactérias na Amazônia

Adriana Folador pesquisa bactérias na Amazônia

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Prêmio

"Para Mulheres na Ciência" é dedicado a jovens cientistas brasileiras, é desenvolvido pela L'Oréal Brasil em parceria com a Unesco no Brasil e a ABC (Academia Brasileira de Ciências). O programa tem o objetivo de transformar o cenário científico nacional, contribuindo para o equilíbrio de gêneros na área.

Todo ano, sete jovens pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática são contempladas com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil, cada, para darem prosseguimento aos seus estudos.

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Neste ano foram contempladas: Aline Miranda (UFMG), Adriana Folador (UFPA), Josiane Budni (UESC), Marina Trevisan (UFRGS), , Jaqueline Mesquita (UnB), Taícia Fill (Unicamp) e Patrícia de Medeiros (UFAL).

A cada ano, o júri formado por renomados cientistas da Academia Brasileira de Ciências escolhe trabalhos com potencial de encontrar soluções para importantes questões ambientais, econômicas e de saúde. O programa já reconheceu e incentivou cerca de 90 pesquisadoras, premiando a relevância dos seus trabalhos, com a distribuição de aproximadamente R$ 4 milhões em bolsas-auxílio.