Educação 'Meu Pé de Laranja Lima' ganha versão em história em quadrinhos

'Meu Pé de Laranja Lima' ganha versão em história em quadrinhos

Obra de José Mauro Vasconcelos foi adaptada pelo escritor Luiz Antônio Aguiar, vencedor do 36º Prêmio Jabuti na categoria 'Livro infantil'

Enredo gira em torno de Zezé, um garoto de seis anos que mora na periferia do RJ

Enredo gira em torno de Zezé, um garoto de seis anos que mora na periferia do RJ

Arquivo pessoal

Com adaptações para a televisão, o cinema e o teatro, a obra Meu Pé de Laranja Lima (1968), de José Mauro Vasconcelos, agora ganhou também uma versão em história em quadrinhos.

Para dar luz a esse projeto, a editora Melhoramentos contou com os cartunistas Franco Rosa e Arthur Garcia e o escritor e roteirista de histórias em quadrinhos Luiz Antônio Aguiar, que já adaptou romances de autores como Machado de Assis, Lima Barreto e José de Alencar e venceu o 36º Prêmio Jabuti na categoria "Livro infantil" com Confidências de um Pai Pedindo Arrego.

"É um livro pelo qual eu tenho profundo respeito. Não é fácil, para um escritor, conquistar seus leitores pela emoção", afirma Aguiar.

Meu Pé de Laranja Lima gira em torno de Zezé, um garoto de seis anos que mora em Bangu, na periferia do Rio de Janeiro. Em determinado momento, seu pai perde o emprego, e Zezé e a família se veem obrigados a se mudar.

Sentindo-se muito sozinho, Zezé faz "amizade" com uma árvore no quintal da nova casa: um pé de laranja lima. Minguinho, como a criança o chama, acaba se tornando seu confidente de todas as horas – para compartilhar suas aventuras ou se lamentar quando levava uma surra dos pais ou dos irmãos por suas traquinagens.

Por ser travesso, Zezé chegava a acreditar que merecia as coisas ruins que aconteciam com ele – e dizia, inclusive, que "tinha o diabo no corpo" – quando, na realidade, era apenas um garoto inserido em um ambiente desestruturado e cheio de problemas. A obra foi publicada em 23 países e traduzida em 15 idiomas.

Aguiar, um profundo conhecedor da obra de José Mauro Vasconcelos, conta que o projeto nasceu após muitas e muitas releituras. "Chegou um momento que eu já tinha praticamente decorado as cenas e os diálogos. A coisa estava tão dentro de mim que eu dominava o livro o suficiente para passar de um lado para o outro [texto corrido para HQ] sem perder substância."

Para ele, um dos principais desafios desse tipo de adaptação é a mudança de linguagem. “Não é apenas copiar e colar o texto da obra original. A HQ tem uma linguagem especial, tem cortes, tem a imagem, que conta parte do texto. Além disso, a passagem de página, e mesmo a passagem de um quadro para o outro, não pode ser aleatória", diz.

Segundo o autor, é necessário ainda ter grande capacidade de síntese. "O balão da fala é muito pequeno se comparado com o texto corrido. E, muitas, vezes, é preciso sintetizar até a imagem. Uma cena que tem dez personagens não cabe em um quadro. Há toda uma série de técnicas."

"A história é composta quadro a quadro. É preciso encontrar um ritmo que não tire nada de importante da história, e que, ao mesmo tempo, não coloque elementos demais, para não cansar o leitor", completa.

Para Aguiar, apesar de o público-alvo da adaptação serem crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, o livro vale a pena ser lido por pessoas de todas as idades. "Acho que qualquer pessoa que sente saudades de ter lido O Meu Pé de Laranja Lima anos, décadas atrás, ou sente saudade do Zezé das novelas, dos filmes, vai querer ler." "Para mim, é uma obra fantástica e que tem um valor incrível. Me senti muito honrado de fazer parte desse projeto."

*Estagiária do R7 sob supervisão de Karla Dunder

Últimas