Professor cria aula estilo stand-up e vira fenômeno nas redes sociais
Após demissão, Jubilut apostou em humor e tecnologia para ensinar biologia a internautas
Educação|Diego Junqueira, do R7

Alguém aí está a fim de assistir a uma aula de biologia? O assunto pode parecer chato pra muita gente, mas 223 mil pessoas no Twitter, 346 mil no YouTube e 1,9 milhão no Facebook acham que não.
Esses são os seguidores do professor Paulo Jubilut, que se tornou um fenômeno nas redes sociais quando decidiu levar para a web o que só fazia entre quatro paredes: dar aulas de biologia.
Abandonar a tradicional sala de aula não foi exatamente uma escolha de Jubilut. Biólogo formado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universidade do Vale do Itajaí, ele trabalhou por quase dez anos em colégios e cursinhos do Paraná e de Santa Catarina. Mas acabou sendo “empurrado” para a web, no final de 2012, após perder o emprego.
— Eu tinha pensado em parar de dar aulas. Mas como tinha me dedicado muito tempo [à biologia], tinha feito mestrado, elaborado apostilas, então pensei que, se parasse, jogaria todo meu material fora.
Assim ele decidiu gravar aulas com a webcam do notebook e publicá-las no YouTube. A ideia era fazer daquilo um “legado”, já que ele planejava abrir uma franquia de sucos. Mas o público invadiu seu canal tal qual uma bactéria: instalou-se, consumiu os vídeos, cresceu e se reproduziu. Virou um “nicho de mercado”.
— Demorei no YouTube uns quatro meses pra ganhar 100 dólares [com as propagandas nos vídeos]. Dali um pouco, deu 500 dólares. No outro mês, 1.000 dólares. Aí eu pensei: ‘O pessoal gostou das aulas. Isso aqui é um nicho de mercado não explorado’.
Um ano após o início do projeto, Jubilut criou o site Biologia Total, onde continua publicando suas videoaulas, mas também apostilas, exercícios e outros materiais, além de oferecer cursos.
Atualmente, milhares de pessoas (ele não revela quantas) assinam planos que vão de R$ 9,42 a R$ 17,99 por mês, o suficiente para manter uma equipe de dez pessoas, com mais um professor de biologia, jornalista e equipe de audiovisual — todos em regime home office.
Além do site e da página no YouTube, o Biologia Total mantém perfil no Google Plus, Twitter e Facebook, usado sobretudo para brincar com a matéria e popularizá-la.
— Eu estou em todas as redes sociais que os alunos estão.
“Videoaula é tempo de bola rolando”
Carisma, descontração e “tempo de bola rolando”. É assim que o biólogo explica sua rápida ascensão na internet.
Seu vídeo mais popular no YouTube, “Como tirar 10 nas provas”, tem mais de 700 mil visualizações. Feito na época em que ainda não utilizava câmeras profissionais ou estúdio, o vídeo se parece a uma apresentação de stand-up comedy. São 14 minutos que aproveitam o carisma e o bom humor do professor.
— A mensagem tem que ser muito bem dada, contextualizada. Não precisa ser um piadista, mas colocar uma descontração para deixar a aula mais leve. Contar histórias, por exemplo, pra prender a atenção do aluno. Isso cria uma fantasia naquele ambiente, que é técnico.
Suas videoaulas também exploram com frequência os virais, aqueles vídeos “fofinhos” (ou nem tão “fofinhos”) amplamente compartilhados nas redes sociais. Quando bombou na web o vídeo de uma águia tentando “raptar” um bebê, ele aproveitou o assunto para gravar uma aula sobre a ave e seus hábitos de vida. Mostrou por que o vídeo era falso (veja ao final).
Mas o que empurrou mesmo o projeto para frente, diz Jubilut, foi o formato da videoaula, que permite ao aluno escolher quando, como e onde assistir ao conteúdo.
— É um formato que já conquistou. Eu brinco que a videoaula é “tempo de bola rolando”. Na escola, o professor tem que apagar o quadro, ligar o datashow, pedir silêncio, responder as perguntas, trocar de sala. Se colocar no cronômetro, ele vai ver que deu 17 minutos de conteúdo em uma aula de 45 minutos.
Já a videoaula respeita o ritmo do aluno, diz. “Se ele é rápido e esperto, ele consegue evoluir no ritmo dele”.
— A sala de aula é injusta porque o aluno que tem dificuldade não consegue ter o tempo que precisa pra aprender, e o que tem facilidade também não se enquadra.
As escolas ficarão para trás?
As novas tecnologias mudaram o perfil dos alunos, diz o professor. Isso tornou o trabalho dos professores ainda mais difícil, já que a molecada atingiu outro patamar de evolução.
— Hoje a criança de três anos já começa com iPad, e isso influencia no seu desenvolvimento cognitivo. Então, quando ela chega numa escola que está em marcha à ré, pra ela aquilo é uma tortura. Ela pensa: ‘Caramba, vou ter que ficar quatro horas aqui?’.
Uma das ideias para vencer essas barreiras no ensino é o uso das videoaulas pelas escolas, que podem aproveitá-las como um dever de casa.
O aluno assistiria ao conteúdo em casa, escolhendo o horário e o aparelho mais conveniente para o estudo (celular, tablet ou computador). No dia seguinte, o professor explora o assunto em sala fazendo exercícios ou atividades em grupo.
— O aluno de hoje mudou, o cérebro dele é diferente. Ele é hiperativo (mentalmente falando) e perde a concentração rapidamente. Então a aula tem que ser dinâmica, parar de deixar aluno ‘sentadão’, na posição passiva, e colocá-lo como protagonista. Por isso eu digo que temos escolas do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21.
Gamificação
Para se manter conectado ao aluno do século 21, o Biologia Total vai mudar sua plataforma em março e apostar na gamificação, que é a utilização de técnicas de videogame aplicadas ao ensino.
O site terá, por exemplo, uma linha de evolução biológica que vai acompanhar o desempenho dos alunos: conforme evolui nos estudos, o aluno passa de fase, recebe prêmios e evolui como ser vivo, até se tornar um primata.
— Muito tempo se acreditou que a tecnologia no ensino era mostrar datashow. Mas é a criação de plataformas que está levando a tecnologia para as salas de aulas.
E aí, vai encarar uma aula de biologia? Veja abaixo:
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