Reeleita, Dilma mantém maioria no Congresso no 2º mandato

Dilma terá apoio de 40 senadores e 304 deputados, mas alguns partidos flertam com oposição

Bruno Lima, do R7, em Brasília

Após ser reeleita com 51,6% dos votos válidos neste domingo (26), a presidente Dilma Rousseff (PT) deve manter o apoio da maioria dos parlamentares no Congresso Nacional em 2015. Se todas as alianças estabelecidas antes das eleições forem mantidas, a presidente terá 304 deputados e 40 senadores na base do seu governo. Mas alguns partidos flertam com a oposição (veja arte abaixo).

Isso significa 59% dos 513 deputados na Câmara e 50% do Senado. O maior desafio da presidente será, assim como aconteceu no primeiro mandato, manter sob controle a ampla base de apoio. O número de congressistas na base aliada no segundo mandato é menor do que no início do governo, de 340 deputados e 62 senadores. 

Grande parte da base é composta por PT e PMDB, maior aliado do governo e partido do atual vice-presidente Michel Temer, que, juntos, somarão 168 senadores e deputados federais na próxima legislatura. O número corresponde a um terço da composição total das duas Casas. 

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Os 513 deputados e 27 senadores eleitos neste ano tomarão posse no dia 1º de fevereiro do próximo ano. Destes, 319 são filiados a partidos que compõem a coligação que apoia a reeleição de Dilma Rousseff — PT, PMDB, PR, PRB, PROS, PDT, PC do B, PP e PSD.

Na Câmara dos Deputados, Dilma contará com uma base formada por 304 parlamentares. Para que emendas à Constituição sejam aprovadas são necessários 308 votos favoráveis de deputados. Entretanto, a base aliada mais sólida continuaria sendo a do Senado Federal com 40 senadores. No Senado, são necessários os votos, no mínimo, de 49 senadores para aprovar emendas constitucionais. 

Para o diretor do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Antônio Augusto Queiroz, o cálculo pode mudar. Ele ressalta que por questão de sobrevivência ou de conveniências políticas, os partidos podem romper com as alianças e mudar de lado no jogo político.

— A Dilma parte do patamar de 40 senadores e 304 deputados. Ela pode facilmente trazer de volta o PTB, que estava na coligação do Aécio.

Base menos sólida

O especialista ressalta que o apoio será menor do que no primeiro mandato e que a petista deverá enfrentar maior dificuldade na relação com o Congresso Nacional a partir de 2015.

— O segundo mandato vai ser muito mais difícil do que o primeiro em termos de apoio, sem dúvida nenhuma. Tanto por ter uma base menos sólida como pelo crescimento da oposição.

Dilma ainda enfrentará o rompimento com o PSB, um dos principais aliados do PT durante os 12 anos à frente do Planalto. Em setembro de 2013, os socialistas decidiram sair do governo e lançar a candidatura do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência da República.

Com isso, os partidos PHS, PPS, PRP, PPL e PSL se juntaram para apoiar Campos, e posteriormente Marina Silva na corrida presidencial. Com a saída de Marina da disputa, a maior parte da Coligação Unidos pelo Brasil declarou apoio à Aécio Neves.

Outro partidos que lançaram candidatura própria como PV, PSC e PRTB seguiram o mesmo caminho e reforçaram a campanha do ex-governador de Minas Gerais durante o segundo. De acordo com o dirtetor do Diap, todos esses partidos devem seguir a tendência e fazer oposição ao Governo nos próximos 4 anos.

Para o professor da UnB e cientista político, David Fleischer, a relação do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o vice-presidente Michel Temer pode desestabilizar a relação da base com o governo. Segundo Fleischer, Cunha pode liderar dissidentes do partido em favor próprio e acelarar o desgaste da relação PMDB-PT. 

— Tudo indica que Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, quer ser o presidente da Câmara e com o apoio do PSDB e dos outros partidos talvez ele consiga se eleger, apesar de o PT ter maior bancada da Câmara.

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