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Eleições 2016

"Quem decide se a Paulista ficará aberta são os moradores do bairro", diz Russomanno

Em entrevista ao R7, candidato propõe "plebiscitos virtuais" para questões locais da cidade

São Paulo|Caroline Apple, do R7

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Russomanno falou ao R7 sobre suas propostas para São Paulo
Russomanno falou ao R7 sobre suas propostas para São Paulo

No comitê de Celso Russomanno (PRB), na avenida Faria Lima, zona oeste de São Paulo, tinha ao menos 20 pessoas transitando, telefone tocando sem parar e um clima de corrida contra o tempo. E não é para menos. Com uma campanha curta e cuidados “cirúrgicos” para não sofrer um revés como nas últimas eleições municipais, Russomanno e sua equipe se desdobram para colocar em pauta o plano de governo, que tem como tema principal a descentralização da cidade.

Foi em meio a essa movimentação que o candidato à Prefeitura de São Paulo recebeu o R7 para uma entrevista exclusiva na qual conta detalhes de como pretende administrar São Paulo e, caso eleito, transformar a capital paulista numa “cidade inteligente” e “descentralizada”.


Russomanno mostrou à reportagem algumas imagens de vias e projetos de reciclagem em Tóquio, no Japão, de onde voltou recentemente. O candidato acredita que as experiências a que teve acesso no oriente poderiam dar certo em São Paulo, como é o caso de placas de abafamento de som (como as usadas no Metrô), que também servem como forma de dar privacidade aos prédios no entorno de vias como o Minhocão. “Na minha gestão, o Minhocão continuará funcionando, mas de uma forma mais confortável para quem mora perto”, diz.

Entre as propostas do candidato está também a criação de “plebiscitos” virtuais, nos quais o cidadão poderá participar das decisões que envolvam seu bairro, como é o caso da abertura da avenida Paulista aos domingos. “As pessoas que moram no bairro devem ter o direito de decidir o que acontece na sua região. Não pode ser uma coisa imposta de cima para baixo”, afirma.


Confira os principais trechos da entrevista:

R7: Você pretende manter a avenida Paulista aberta aos domingos?


Russomanno: A questão dos bairros, para eventos, os moradores da região é que irão decidir. Por meio de aplicativos haverá votações. Acho isso muito justo. Numa democracia a maioria decide. Não pode ser uma decisão unilateral do prefeito. Os aplicativos serão usados para que as pessoas votem para tudo. É mais interessante que a pessoa possa discutir o bairro e estabelecer o que é interessante.

R7: Essa proposta não funcionaria como uma “ditadura da maioria”?


Russomanno: Ditadura da maioria não existe. Quem paga o IPTU na sua casa? Quem tem direito a morar lá? As pessoas têm que ter o direito de viver onde elas vivem, onde elas pagam para viver. Você tem que ter direito à qualidade de vida. Não se pode impor situações de cima para baixo.

R7: Quanto ao Minhocão, quais são seus planos? Como vê a mudança de nome promovida pelo prefeito Fernando Haddad?

Russomanno: Não adianta trocar o nome. Trocar o nome porque era do regime militar é uma palhaçada. Não tem razão de ser. De uma forma ou de outra, o Minhocão escoa uma quantidade imensa de veículos da zona leste. No Japão, tem até seis andares de “minhocões”. Lá, eles têm placas para que os ruídos não cheguem aos edifícios e criam privacidade. É uma via importante. Tirar o Minhocão é congestionar a cidade. Serão mais de 100 km acumulados de congestionamento. Vai parar tudo. A curto prazo, temos que evitar que o barulho atormente os moradores do entorno.

R7: Quanto à polêmica dos aplicativos de transporte individual, o que pretende fazer para ser justo com taxistas, motoristas e passageiros?

Russomanno: Eu sou um legalista. As coisas têm que ser conforme a lei estabelece. O Código Brasileiro de Trânsito é claro em relação a isso. Para transporte de aluguel, de passageiro ou de carga, individual ou coletivo, a placa tem que ser vermelha. O Uber faz um serviço de aluguel, portanto não pode transitar com placa particular. Essa discussão está acontecendo em Paris, Nova Iorque, Madri. Para se ter uma ideia, Paris e Nova Iorque proibiram o Uber. Uma empresa não pode chegar numa cidade onde existe uma concessão pública, permissionária, e estabelecer regras, como se fossem lei. A situação está descontrolada.

O Uber pode existir devidamente legalizado e com estabelecimento de quantidade. Ninguém está ganhando nada, nem taxista e nem Uber. Não tem passageiro. Os Ubers estão vivendo de vender as concessões. O motorista indica outras pessoas e ganha R$ 700 por indicação. Isso está aumentando o problema da mobilidade, colocando mais carros na rua. Vamos estabelecer quantidade e cadastrar. Se tiver uma quantidade grande, será por sorteio. É uma concorrência predatória que está acontecendo e ninguém sobrevive. Os motoristas terão que ser profissionais e com registro na prefeitura.

R7: Como sua pauta de governo, a descentralização da cidade, pode colaborar para a melhoria da mobilidade urbana? Como pretende fazer isso na prática?

Russomanno: A descentralização é uma forma de você dar mobilidade para a cidade, que hoje tem nos extremos bairros dormitórios. Em grandes cidades do mundo você não encontra isso. É todo mundo indo para o centro de dia e voltando para as periferias à noite. O sistema de congestionamento é terrível. Se você gera economia local, você decentraliza a cidade. Quero as empresas prestadoras de serviços de volta, que foram embora por causa dos impostos, como o IPTU. Vamos baixar o IPTU, como dos call center, que geram milhares de empregos. Vamos reduzir a carga de ISS e, se conseguirmos, até mesmo algum tipo de subsídio.

R7: Como você vê as ciclovias e ciclofaixas na cidade?

Russonanno: O trânsito piorou com as ciclovias. Na época do Kassab, os congestionamentos chegavam a 240 km, agora chegam a 500 km. E a situação se agravou quando o prefeito Fernando Haddad entendeu que deveria cortar a cidade de lado a lado com ciclovias. Não sou contra as ciclovias, até porque sou ciclista, mas precisava passar nas principais vias da cidade? Queremos continuar com as ciclovias, porque tem uma boa aceitação, é um bom modal, mas é um bom modal para quem se transporta de bicicleta pelo seu próprio bairro, por isso também a descentralização é importante.

R7: Você pretende reestudar os projetos das ciclovias e ciclofaixas?

Russonanno: Não vou reestudar os projetos das ciclovias, eu vou estudá-los, coisa que não foi feita. Vamos fazer estudos de impacto e ver se ela deve estar numa via principal ou lateral. Elas estão do lado direito, o que já não é correto, teria que ser nas faixas centrais. Assim, você destrói o comércio, destrói a economia da cidade. Muitos comerciantes não sobrevivem onde não pode parar carro. Você não pode parar nem para descer.

R7: Dá para tomar decisões populares pensando em uma cidade para daqui a 20 anos?

Russomanno: Dá. Quem mora em Itaquera e São Miguel pode morar lá, comprar lá, trabalhar lá. Isso não é uma medida impopular. É qualidade de vida. Ficar duas horas e meia em um coletivo de péssima qualidade não é saudável. A maioria dos ônibus ainda é montada em chassi de caminhão, feito para carregar carga e não pessoas. Pula que nem um cabrito. Acaba com o rim das pessoas e com a coluna, que ficam afastadas pelo INSS. Quem paga as contas somos nós. E esses ônibus estão concentrados na periferia.

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