Rapper Hérko Freitas lança o álbum "Hoje" sobre suas influências na música e na literatura
É o segundo trabalho solo do músico paulsitano que também é poeta e professor
São Paulo|Juca Guimarães, do R7

Aos 45 anos, um dos pioneiros na cultura hip-hop de São Paulo, Hérko Freitas, está lançando o seu segundo álbum solo: "Hoje". O trabalho, como o próprio rapper define, é um interlúdio entre duas fases da sua carreira, que começou no final dos anos 80, quando dançava break nos encontros da São Bento e ia nos bailes da equipe Chic Show.
O álbum "Hoje" também reune algumas músicas que já estavam gravadas para outros projetos do Hérko. O disco é uma transição para uma nova obra que já está em fase de finalização", disse.
Com forte influência da MPB, da soul music e da literatura, a música do Hérko Freitas se caracteriza por transpor barreiras e abrir novas possibilidades. Trabalhando também como professor, o rapper usa o hip-hop na preparação das aulas.
Um dos destaques do disco é a versão arrasadora do rapper para a música "O Caminho do Bem", da fase Racional do Tim Maia, mestre da soul music brasileira.
O álbum esta à venda na loja e no site da Gringo Records, na galeria da 24 de maio, no Centro de São Paulo. Confira a entrevista exclusiva do rapper para o R7.
R7: Quanto tempo levou para compor, produzir e gravar o álbum?
Hérko Freitas: Eu levei uns quatro meses, pois algumas músicas já estavam gravadas para outros projetos. Que resolvi juntar e fazer esse EP que é um interlúdio para outro que estou em fase de finalização.
R7: Por que o nome Hoje?
Hérko Freitas: O nome ”Hoje” é uma referência de como estou no momento, minha mudança musical, então tudo acontece Hoje.
R7: Quando você começou a ouvir rap?
Hérko Freitas: Rap gringo desde sempre, por influência de dois primos meus o Zé e Ismael ( no Jardim São Luiz, zona Sul). Em 1987 eu já dançava break e fui na São Bento aprender uns passinhos novos. Quando vi e ouvi um mano batendo na lata de lixo tipo fazendo um som e cantando (O mestre Thaide). Tive contato com o rap em português. Fiquei muito encantado com aquilo.
R7: Quando você começou a compor?
Hérko Freitas: 1988 é o ano exato da minha entrada para o rap. Foi quando eu percebi que tinha uma certa facilidade de rimar na escrita. Participei do clube do rap que era organizado pela equipe de som chamada Chic Show.
R7: De que bairro você é? A quebrada é uma influência na sua música?
Hérko Freitas: Tive uma forte influência do lugar onde morava que era na Cidade A. E. Carvalho, zona Leste. Nas letras e nas atitudes inclusive, eu cito o nome do bairro na música "Mesmice Humana". Hoje eu moro na Vila Nova Cachoeirinha zona norte, outra vibe.
R7: Como foi o seu começo no rap?
Hérko Freitas: Eu fui o fundador e líder do grupo Irmandade Negra, mas em 2014 o grupo acabou, por incompatibilidade. Eu já tinha meus projetos no paralelos disponíveis na internet e segui em frente. De 2014 para cá, que dois desses projetos se transformaram em álbuns físicos. O primeiro foi um cd de rap para criança chamado “Pequeno Hérkinho – Ouça, aprenda e divirta-se”. O segundo é este cd "Hoje”.
R7: A sua música tem muita referência de black music e MPB. São ritmos que você acompanha?
Hérko Freitas: Sim. Tanto é que faço umas versões de MPB como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Ronnie Cord, Jason Derulo, Whodini, Elis Regina, Rum DMC, Jair Rodrigues, Zanadu, The Notorious BIG, Tim Maia, NWA e Wyclef Jean. Sou muito eclético musicalmente, ouço de tudo para compor as minhas ideias, cito nomes e frases de artistas brasileiros nas minhas músicas.

R7: Qual a sua formação musical?
Hérko Freitas: Não toco nenhum instrumento e não tenho formação musical, mas tenho muita sensibilidade musical que me ajuda bastante na hora de compor as minhas musicas tanto na hora de escreve como produzir os instrumentais.
R7: Você é professor. Já usou o rap nas aulas, como foi?
Hérko Freitas: Sim sou professor, formado em pedagogia pela faculdade Oswaldo Cruz, Leciono as seguintes matérias Português, Matemática, Ciências, Geografia, História e Arte. Já usei o rap diversas vezes em sala de aula principalmente com meu cd de rap para crianças, sempre é uma satisfação. Em uma feira cultural os professores tinham que favar de ritimos musicais e adivinha qual foi o meu...(risos) .Teve um pai que me falou no dia da feira: - "Professor agora eu posso morrer contente, pois eu vivi pra ver uma escola particular falar de rap,eu falei pra todo mundo no meu serviço".
R7: Você também é poeta. Quais são as suas influências na poesia?
Hérko Freitas: Minha influência vem do Gabriel, o pensador, Arnaldo Antunes, Cazuza ,Renato Russo e Mano Brown.
R7: Por que você escolheu gravar uma homenagem ao Tim Maia com a música O Caminho do Bem?
Hérko Freitas: Por que toda a obra musical do Tim Maia é fantástica, essa música “O Caminho do Bem” é a segunda vez que gravo, a primeira eu usei até o sampler da própria música.
