Eleições 2020 Crises e falta de identidade: quais serão os desafios do prefeito do Rio

Crises e falta de identidade: quais serão os desafios do prefeito do Rio

Especialistas avaliam problemas da capital fluminense e questões que se agravaram ainda mais após a pandemia do novo coronavírus

Próximo prefeito do Rio terá duros desafios para gerir a partir de 2021

Próximo prefeito do Rio terá duros desafios para gerir a partir de 2021

Claudia Martini/Folhapress - 25.09.2020

O próximo prefeito do Rio de Janeiro, escolhido na eleição municipal do próximo mês de novembro, terá duros desafios a enfrentar durante a gestão a partir de 2021.

Como avaliaram especialistas ao R7, a segunda mais populosa cidade do Brasil e ex-capital federal é repleta de problemas e questões que se agravaram ainda mais após a pandemia de covid-19.

Para o cientista político Maurício Santoro, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a cidade do Rio vive as crises e recessões dos últimos anos no país, inclusive a da pandemia, de maneira mais profunda que outras grandes cidades como São Paulo e Salvador.

“Há uma dependência muito grande do petróleo e dos royalties do petróleo. Pela baixa histórica do preço do petróleo, isso afeta de maneira muito negativa a cidade e o estado do Rio de Janeiro. Outra razão é a sucessão de crises políticas no Rio de Janeiro, que levou à prisão de cinco governadores e, agora, possivelmente um sexto. Além disso, a relação da cidade como os governos estadual e federal ficou tumultuada, confusa”, avalia Santoro.

Paulo Baía, professor da Ufrj (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é necessário centralizar um projeto de recuperação econômica da cidade, “dando potência a uma economia criativa. Uma megalópole como o Rio terá que se preparar para uma economia digitalizada, que gere empregos e renda no setor de serviços”.

Do que sofre a cidade hoje

Entre os setores da gestão municipal mais vezes apontados pelos dois especialistas como os em maior carência na capital fluminense, os mais citados são a saúde e a educação básica, seguidos por trânsito e limpeza urbana – a segurança pública, embora lembrada pelos dois professores, é de responsabilidade quase total do governo do Estado.

“Temos um déficit [de qualidade] nas creches, nas escolas de ensino fundamental, na saúde e na manutenção de nossas ruas e estradas”, comenta Baía.

A respeito da saúde, Santoro lembra que a participação das organizações sociais na gestão de hospitais, sobretudo durante a pandemia, foi um tema problemático.

“Aqui, esses mecanismos de gestão envolvendo terceirização e organizações sociais gerou uma série de problemas. Será o problema mais urgente ao próximo prefeito”, diz.

Herança de megaeventos e falta de identidade

Embora tenha trazido alguns avanços à cidade ao longo das últimas duas décadas, os eventos recebidos pela cidade – Olimpíada de 2016, Jogos Pan-Americanos de 2007, Jogos Mundiais Militares de 2011 e o encerramento da Copa do Mundo de 2014, entre outros jogos – geraram uma crise de identidade ao Rio, avalia Santoro.

“Desde o Pan de 2007 até 2016 (com a Olimpíada), todo o planejamento estava voltado para esses megaeventos. O Rio está vivendo uma crise de propósito da cidade. Uma aposta que se revelou complicada na conjuntura que vivemos hoje”, afirma.

Segundo ele, a fim de buscar uma inserção na economia internacional, as próximas gestões do Rio de Janeiro devem buscar em pontos fortes da cidades a solução.

“Há uma excelente rede de universidades e centros de pesquisa, uma cultura forte, podendo ter a economia criativa girando em torno da televisão, música e cinema. Há o enorme potencial turístico da cidade que nunca é desenvolvido a contento, por problemas de insegurança, infraestrutura, de falta de mão de obra treinada. São ativos que a cidade pode desenvolver, que podem levar a políticas públicas importantes”, diz Santoro, que conclui:

“É necessário que haja um planejamento de médio a longo prazo do que acontecerá com o Rio”.

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