Eleições 2020 Saúde e renda serão as bandeiras dos novos prefeitos, diz especialista

Saúde e renda serão as bandeiras dos novos prefeitos, diz especialista

Para o cientista político Bruno Soller, o enfrentamento da crise e o pós-pandemia serão os maiores desafios dos gestores eleitos, a partir de 2021

Pós-pandemia deverá marcar gestões na próxima legislatura, avalia especialista

Pós-pandemia deverá marcar gestões na próxima legislatura, avalia especialista

Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress - 29.7.2020

O enfrentamento das crises sanitárias e econômica geradas pela pandemia do coronavírus, acrescido do combate à disseminação da doença, deve ser as principais bandeiras da gestão dos prefeitos escolhidos pela população brasileira nas eleições municipais de 2020. A avaliação é do cientista político Bruno Soller, especialista em Comunicação Política pela George Washington University e Política Latino-Americana pela USP.

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O cientista político acredita que será necessário priorizar a utilização de recursos públicos e, desta forma, outras ações serão deixadas para um segundo momento da administração na próxima legislatura, pois a populção estará atenta às políticas públicas que garantam condições para a criação de empregos, geração de renda e atendimento médico das famílias. 

"Vai ser muito duro ser prefeito nessa época com menos arrecadação e mais gente dependente dos serviços públicos. Se quiser ter sucesso, vai ter que atacar a quesão da pandemia, melhorar as condições de saúde pública dos seus municípios e tentar gerar oportudades de renda e emprego para as pessoas. O prefeito que se preocupar em tocar obra primeiro vai dar um tiro no pé", analisou Bruno Coller.

Baixa abstenção

Na visão de Bruno Soller, a adesão à votação não deverá ser impactada pela pandemia da covid-19 e o pleito do próximo dia 15 de novembro deverá ter níveis de abstenção do eleitorado semelhantes aos de eleições passadas. De acordo com os dados informados pelo cientista político, o Brasil tem cerca de 133 milhões de eleitores com voto obrigatório e outros 14,5 milhões com voto facultativo.

Para o especialista, as exceções podem surgir entre os eleitores acima dos 60 anos e aqueles que não são obrigados a votar, em razão do receio de contaminação e de uma nova fase de aumento dos casos em algumas regiões do país, mesmo cientes das medidas sanitárias adotadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas zonas eleitorais.

"Pelo que a gente tem vistos nas pesquisas qualitavivas, a sensação é que o eleitor irá às urnas. Temos percebido isso em alguns outros países, mesmo com a pandemia. Em momentos de crise, o eleitor quer decidir um pouco do seu futuro e não deixar que outro decida por ele", acrescentou o estragegista político.

Mudança de perfil

Bruno Soller também entende que a pandemia provocou modificações no perfil dos candidatos que disputam as eleições deste ano. Agora, a experiência passou a ser mais importante para os eleitores. Além disso, questões anteriormente tratadas como bandeiras de campanha foram substituídas pelo discurso em prol da saúde pública e da vida.

"Por exemplo, um tema que era muito forte na eleição de 2018 e  perdeu [força], é a questão da segurança pública. Foi perdendo espaço. As pessoas estão perdendo renda e há um esgotamento do sistema de saúde brasileiro. Em todas as capitais tem se falado em cuidar das pessoas, um discurso mais social, não militaresco como antes, porque o momento exige esse tipo de comportamento", complementou o cientista político.

Outra caractertística das eleições deste ano que comprova o impacto da pandemia no sentimento dos eleitores, segundo Bruno Soller, é a busca por candidatos mais experientes.

"As pessoas estão buscando um pouco de preparo. Há menos recursos e 75% dos brasileiros perderam renda [na pandemia]. Com isso. as pessoas estão buscando mais serviços públicos. A pessoas estão discutindo renda e saúde, [são o] calo de todas as capitais brasileiras", finalizou.

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