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Engenheiro transforma paixão pelo Primavera em acervo que resgata história do clube

Torcedor desde a infância, Roberto Barce reconstruiu a trajetória da equipe que vive seu melhor momento e chega à elite estadual

Entrevista|Yasmin Dias

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Além de historiador, Roberto Barce também faz parte do Conselho Deliberativo do Primavera Arquivo Pessoal

O ano de 2025 entrou para a história do Esporte Clube Primavera como um capítulo de conquistas inesquecíveis. Com o acesso à elite do Campeonato Paulista e a classificação inédita para a Copa do Brasil, o Fantasma da Ituana vive o auge de sua trajetória. E, se o presente é de celebração, 2026 promete ser ainda mais especial, com a chegada do centenário do clube.

Para que essa ascensão não se perca no tempo, a história do Primavera conta com a dedicação de quem entende que grandes momentos precisam ser preservados.


No centro desse trabalho está Roberto Barce, de 61 anos. Nascido e criado em Indaiatuba, o engenheiro eletricista construiu carreira em cidades como Campinas e São Paulo, mas jamais deixou que a rotina ou a distância o afastassem de sua verdadeira paixão: o Primavera.

Torcedor desde a infância, Roberto guarda viva a lembrança da primeira vez em que cruzou os portões do estádio, aos 11 anos. Movido por uma curiosidade que logo virou hábito, passou a registrar jogos, resultados e detalhes do clube em um caderno. O material original se perdeu com o tempo, mas a memória e o compromisso com a preservação da história permaneceram intactos.


Décadas depois, essa dedicação se transformou em um acervo inédito, responsável por reconstruir quase um século da trajetória do Primavera e dar origem ao livro do centenário. Em entrevista ao R7, Roberto Barce relembra como um hobby juvenil se tornou um verdadeiro patrimônio histórico do clube.

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Confira a entrevista na íntegra:

R7 – Em que momento você percebeu que queria pesquisar a história do Primavera?


Roberto Barce – No próximo dia 27 de janeiro, o clube completa 99 anos, quase um século. Desse período, acompanhei praticamente metade: estou presente desde 1976, são 49 anos de vivência. Essa segunda metade da história eu vivi intensamente, o que facilita muito meu trabalho como historiador, porque as pesquisas despertam lembranças de fatos que presenciei. Já a primeira metade, desde a fundação em 1927, exige uma investigação mais profunda, baseada em documentos e registros.

Com o tempo, percebi que, se eu não fizesse esse trabalho de acervo histórico, ninguém faria. Pouquíssimas pessoas teriam condições de reunir essas informações. Fiz uma pesquisa minuciosa desde a fundação até 1975, quando comecei a acompanhar o clube de perto. A dificuldade era enorme. Foi um trabalho quase de paleontólogo.


R7 – Como você começou a reunir os documentos?

Roberto – O pontapé inicial foi ainda na infância, com um caderninho onde eu anotava tudo (risos). Por ser engenheiro, sempre fui muito organizado com planilhas, estatísticas e tabelas. Ao longo dos anos, fui estruturando essas informações. Hoje, tenho uma planilha em Excel com mais de 100 subpastas: estatísticas completas, todos os técnicos que passaram pelo clube, anos de atuação, índices de aproveitamento, além de dados de jogadores — nome, apelido, período em que atuaram, datas de nascimento e falecimento.

R7 – Hoje você atua apenas como historiador no Primavera?

Roberto – Além de historiador, sou conselheiro e faço parte do Conselho Deliberativo do clube. Também ajudo na manutenção do acervo físico, que inclui um mini museu com galeria de troféus, fotos de ex-presidentes, times históricos e exposição de camisas.

Nos dias de jogo, atuo como operador do sistema de som e locução do estádio. Tudo isso é feito de forma voluntária, sem qualquer retorno financeiro. O foco é contribuir com o clube e fazer aquilo que gosto.

R7 – O acervo é digital e existe uma sala de exposição?

Roberto – Sim. A sala fica no estádio e é aberta para visitação. Em alguns momentos, realizamos encontros com torcedores no local. Além disso, existe um acervo complementar que fica comigo e é levado para exposições e eventos de colecionadores. Tenho cerca de 50 camisas históricas, entre originais e réplicas, que representam diferentes fases do clube.

R7 – Quais são os principais itens desse acervo?

Roberto – O acervo físico do clube reúne troféus, camisas, quadros com fotos dos times, galeria de presidentes e diversas peças decorativas. Comigo ficam algumas camisas históricas, livros relacionados ao Primavera, fichas técnicas e publicações de revistas. Mas o principal foco sempre foram os documentos.

R7 – Qual foi a informação mais difícil de encontrar?

Roberto – Levantar a lista completa de todos os presidentes do clube, com seus respectivos mandatos, desde o primeiro.

R7 – Qual foi a história mais curiosa dessa busca por informações?

Roberto – Já fiz pesquisa até em cemitério. Eu sabia que um jogador antigo havia falecido e precisava confirmar o nome completo e a data de nascimento. Encontrei essas informações na lápide. Não é um local agradável para pesquisa, mas foi curioso (risos).

R7 – Quais são os próximos passos desse trabalho?

Roberto – A pesquisa não termina nunca, mas nos últimos dois anos me dediquei à escrita do livro do centenário do clube. Esse será meu principal legado. A ideia é reunir toda essa história de forma física e digital. Não será um livro cansativo: quase todas as páginas terão fotos, imagens e artes. Deve ter entre 300 e 400 páginas e funcionar também como fonte de pesquisa.

R7 – Qual parte da história do clube você acha que pouca gente conhece, mas deveria conhecer?

Roberto – Essa é uma pergunta diferente, muito boa. Acho que o passado do clube como um todo merece ser conhecido. Vivemos hoje o auge desses 99 anos de história, com o primeiro acesso à elite do Campeonato Paulista e a inédita classificação para a Copa do Brasil. Muitos torcedores estão conhecendo o Primavera agora. Por isso, entender toda a trajetória até esse momento é fundamental.

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