Nino Pavolini: ‘Meu diferencial sempre foi ser agressivo no FPS’
Gamer conta como transformou o videogame em carreira e analisa o cenário dos eSports no Brasil
Antes de se tornar um dos nomes mais reconhecidos do cenário brasileiro de FPS, Nino Pavollini era um adolescente tímido, caçula de três irmãos, que teve o primeiro contato com os games ainda na infância, em Belo Horizonte. O que começou como hobby se transformou em carreira profissional após uma virada decisiva em 2015, quando ele se classificou para um campeonato internacional na Alemanha e percebeu que poderia viver dos jogos eletrônicos. “Foi ali que eu vi que dava para viver dos games”, relembra.
Desde então, Nino passou por diferentes títulos, consolidou uma comunidade fiel nas lives e se tornou referência no cenário de FPS, especialmente durante a explosão do Warzone no Brasil — trajetória que ganha destaque no especial Ninext, exibido neste 23/02 no canal Good Game TV, disponível no Record Plus.

Em entrevista ao R7, o gamer fala sobre adaptação, rotina intensa de treinos, pressão das transmissões ao vivo, saúde mental no esporte eletrônico e analisa os desafios e limites do cenário competitivo brasileiro. “Não existe segredo: para evoluir no FPS é preciso colocar horas no jogo”, afirma.
Confira a entrevista na íntegra:
R7 — Como você se apresenta hoje dentro do universo gamer?
Nino Pavolini — Sou um gamer de 28 anos, nascido em Belo Horizonte, e jogo videogame há cerca de 15 anos. Comecei em 2010 e, apesar de ser um cara tímido, faço o possível para dividir minha trajetória e minhas experiências nesse universo.
R7 — Quando os games passaram a fazer parte da sua vida?
Nino — Sempre morei com meus dois irmãos, que são mais velhos, e eles jogavam bastante. Foi assim que acabei sendo inserido nesse mundo desde muito cedo.
R7 — Qual foi o primeiro jogo que te marcou nesse início?
Nino — Counter-Strike 1.5.
R7 — Você era muito novo naquela época?
Nino — Tinha cerca de 10 ou 11 anos.
R7 — Já era um jogo de tiro. Você começou direto no FPS?
Nino — Sim. O CS é um jogo de tiro e, até hoje, continua muito forte no cenário competitivo, mesmo com tantas atualizações ao longo dos anos.
R7 — Naquela época, você já pensava em seguir carreira?
Nino — Não. No começo era só hobby, diversão mesmo. A virada de chave aconteceu em 2015, quando me classifiquei para um campeonato importante na Alemanha.
R7 — Essa decisão partiu de você ou alguém te incentivou?
Nino — Foi algo natural. A gente passou por vários times no Brasil, eram mais de 100 competindo por uma vaga. Ficamos em primeiro, fomos para a Alemanha e quase ganhamos o mundial, ficamos em segundo. Ali eu vi que dava para viver disso.
R7 — Você teve alguma inspiração no cenário gamer?
Nino — O Fallen, com certeza. Ele tem uma história muito bonita, é um cara que viu o cenário crescer desde quando era extremamente nichado. Sempre me inspirei muito nele.
R7 — Seu estilo de jogo é conhecido como “ensaboado”. O que isso significa?
Nino — Esse bordão surgiu na pandemia, em 2020. Meu estilo sempre foi muito agressivo. Eu gosto de buscar o contato, não fico esperando o adversário. Minha movimentação e minha mira são diferentes, e a comunidade abraçou isso.
R7 — Esse é o seu maior diferencial?
Nino — Sem dúvida. Eu prefiro fazer a jogada do que esperar. Sou impaciente nesse sentido.
R7 — Esse estilo te torna mais vencedor?
Nino — Com certeza. Quando o Warzone lançou, em 2020, eu estava muito à frente da maioria. Eu me adapto rápido a jogos novos e consigo masterizar antes da média, isso fez muita diferença.
R7 — Hoje você prefere agressividade ou leitura tática?
Nino — Hoje eu mesclo os dois. Não adianta só ser agressivo e fazer jogada burra. É preciso ser inteligente também.
R7 — Como é sua rotina de treinos atualmente?
Nino — Em 2020 eu jogava de 10 a 12 horas por dia. Hoje reduzi bastante, jogo cerca de 3 a 4 horas. Percebi que o excesso estava me desgastando e passei a priorizar saúde e outros projetos.
R7 — Que conselho você dá para quem quer evoluir no FPS?
Nino — Não tem segredo: é botar horas no jogo. Analisar seus erros, estudar jogadores melhores, assistir gameplays e grindar mesmo.
R7 — Qual FPS exigiu mais adaptação na sua carreira?
Nino — Rainbow Six. É um jogo mais cadenciado, menos agressivo. Foi um período conturbado, mas importante para minha evolução.
R7 — Por que o Warzone foi tão marcante no Brasil?
Nino — Pela carência de um battle royale realista. Fortnite e Apex são mais cartunizados. O Warzone chegou no timing perfeito, em plena pandemia, quando todo mundo estava em casa.
R7 — O cenário brasileiro de FPS está crescendo?
Nino — Cresceu muito, mas o competitivo está um pouco saturado. Criar um novo FPS competitivo é muito difícil hoje, principalmente para competir com gigantes como Riot e Activision.
R7 — E novos talentos brasileiros?
Nino — Aqui no Brasil não vejo alguém despontando agora. Lá fora, sim. Tem jogadores muito fora da curva surgindo.
R7 — O que as pessoas se surpreenderiam ao conhecer a rotina de um pro player?
Nino — A seriedade. Temos terapeuta, fisioterapeuta, horários rígidos de treino e análise de adversários. É bem parecido com o esporte tradicional.
R7 — A saúde mental é trabalhada dentro das equipes?
Nino — Muito. A terapia ajuda na comunicação do time e a resolver conflitos internos.
R7 — Você tem algum ritual antes de jogar?
Nino — Gosto de ficar sozinho, ouvir uma música relaxante e entrar focado.
R7 — Fora dos games, quais são seus hobbies?
Nino — Tênis e pôquer.
R7 — Qual foi a play mais insana da sua carreira?
Nino — Uma jogada 1x4 no Warzone, em 2020. Hoje parece normal, mas na época foi muito marcante.
R7 — Quando você percebeu que tinha uma comunidade fiel?
Nino — Quando fui para o Facebook Gaming, em 2020. Foi um risco sair da Twitch, mas a galera me acompanhou.
R7 — Alguma mensagem de fã já te marcou?
Nino — Muitas. Pessoas dizendo que minhas lives ajudaram durante a pandemia, gente lidando com depressão. Isso não tem preço.
R7 — Você já sentiu pressão com a exposição?
Nino — Sim, principalmente quando comecei a fazer lives de campeonatos. Ser julgado em tempo real foi difícil, mas aprendi a lidar.
R7 — Quais são seus próximos projetos?
Nino — Quero fazer um projeto para a próxima Copa do Mundo, visitando jogadores de futebol que jogam Warzone, antes da convocação.
R7 — E campeonatos, o que vem pela frente?
Nino — Joguei recentemente um campeonato de Battlefield 6 e ganhei. O competitivo ainda está começando, então não há calendário definido.
R7 — Para fechar: se você montasse um squad dos sonhos, quem estaria nele?
Nino — Eu, Faker, Fallen e Shroud.














