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Pesquisas mostram que herança de Casagrande não é garantia de vitória para Ferraço no Espírito Santo

Real Time Big Data e Paraná Pesquisas mostram que não basta herdar o legado de uma gestão bem avaliada para chegar ao governo

Espírito Santo|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Vice-governador Ricardo Ferraço é considerado candidato natural para suceder Renato Casagrande em 2026.
  • Pesquisas mostram empate técnico com o prefeito Lorenzo Pazolini, indicando um cenário desafiador para Ferraço.
  • A gestão de Casagrande, avaliada como boa, não garante a vitória de Ferraço, que é visto mais como guardião do passado.
  • As próximas eleições prometem uma disputa acirrada, não definida, entre Ferraço, Pazolini e possivelmente Paulo Hartung.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dois homens sorrindo na frente de microfones da imprensa
Pesquisas mostram que Ricardo Ferraço terá disputa acirrada nas urnas com o prefeito Lorenzo Pazolini Reprodução/Instagram @ricardoferraco

O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é apresentado por aliados como o candidato natural para suceder Renato Casagrande (PSB) no Palácio Anchieta em 2026. A lógica é simples: basta herdar o legado de uma gestão bem avaliada para chegar ao governo. Mas os números das urnas — ou pelo menos das pesquisas — contam uma história diferente e mais complicada.

A pesquisa mais recente da Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (16 de março), mostra Ferraço e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), empatados com 35% das intenções de voto no primeiro cenário estimulado — aquele com apenas três candidatos no páreo. O empate técnico é, por si só, um sinal de alerta para quem acredita que a candidatura do vice-governador está encaminhada.


Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece empatado e até à frente nas pesquisas para o governo do ES Reprodução/Instagram @lorenzopazolini

O cenário fica mais desafiador quando se olha para outra pesquisa, realizada dias antes. O levantamento do instituto Paraná Pesquisas, feito entre 8 e 11 de março com 1.500 eleitores em 46 municípios, mostrou Pazolini na frente no primeiro turno com 42% das intenções de voto, contra 36,1% de Ferraço. Em eventual segundo turno direto entre os dois, o prefeito da capital venceria com 47,3% contra 40,8% do vice-governador. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo ES-05588/2026.

Casagrande anunciou Ferraço como seu nome para a sucessão em dezembro de 2025, justificando que ele reúne capacidade de conduzir as políticas públicas do estado e que “é o nome mais preparado para garantir a proteção do legado” da gestão atual. A frase revela tanto o trunfo quanto o limite da candidatura: Ferraço é definido, antes de tudo, como um guardião do passado — não como um projeto de futuro.


Esse posicionamento de “continuidade” tem um custo eleitoral real. No cenário espontâneo da pesquisa Paraná Pesquisas — quando nenhum nome é apresentado ao eleitor —, apenas 5,5% citaram Ferraço espontaneamente, enquanto Pazolini foi lembrado por 6,8% e o próprio Casagrande por 7,9%. Mais de dois terços dos eleitores não souberam citar nenhum nome. É o retrato de uma disputa que ainda não emplacou no imaginário popular, mas na qual Ferraço ainda não se destacou como protagonista por méritos próprios.

Há também a questão da infraestrutura de apoio. Um levantamento do Tribunal de Contas do Espírito Santo revelou deficiências graves na rede escolar do estado. Falta de água potável, ausência de ligação com rede de esgoto, inexistência de laboratórios e bibliotecas em centenas de unidades são problemas que comprometem tanto a segurança quanto a aprendizagem. São marcas de uma gestão que acumulou bons indicadores macroeconômicos, mas que ainda não chegou de forma plena às pontas do serviço público.


No campo da segurança — a principal vitrine do governo Casagrande —, o próprio Ferraço reconheceu que os desafios estão longe de ser superados. Ao projetar sua futura gestão, ele afirmou que “segurança é uma obra inacabada” e prometeu que não haverá descanso “até que este seja um dos estados mais seguros do Brasil”. A frase, ao mesmo tempo que demonstra humildade, admite que o estado ainda não chegou lá — e que o trabalho do governo que ele pretende continuar tem limites claros.

Do ponto de vista eleitoral, o quadro é de disputa real, não de corrida definida. Analistas políticos avaliam que as eleições de 2026 no Espírito Santo prometem disputa intensa, envolvendo Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e possivelmente o ex-governador Paulo Hartung. Não é o cenário de quem parte com vantagem decisiva.


Com mais de quatro décadas de vida pública, passagens pela Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal, Ferraço chega a 2026 como o “tempo certo”, nas palavras de aliados. Mas, para adversários, será o momento de testar nas urnas a força de um projeto que busca continuidade.

O Espírito Santo pode muito bem continuar sob gestão do mesmo grupo político após 2026. Mas, se isso acontecer, será por disputa — não por herança.

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