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Abelhas rainhas têm habilidade inesperada para sobreviver dias debaixo d’água durante o inverno

Pesquisa revela adaptação surpreendente que ajuda abelhas rainhas a sobreviver a inundações no inverno

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Abelhas rainhas conseguem sobreviver dias submersas no inverno (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A sobrevivência no inverno representa um grande desafio para muitos animais. Temperaturas baixas, escassez de alimento e eventos climáticos extremos podem reduzir drasticamente as chances de sobrevivência. No caso das abelhas-rainhas, responsáveis por iniciar novas colônias na primavera, um estudo recente revelou uma estratégia biológica surpreendente: elas conseguem sobreviver completamente submersas em água por vários dias.

A pesquisa, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, investigou como essas abelhas conseguem resistir a alagamentos subterrâneos durante o período de hibernação. Durante o inverno, as rainhas entram em um estado fisiológico chamado diapausa, no qual permanecem escondidas no solo, com o metabolismo extremamente reduzido.


Esse comportamento ajuda a protegê-las do frio e de predadores. No entanto, tempestades e o derretimento da neve podem provocar inundações no solo, colocando esses insetos em risco. Entre os principais achados da pesquisa estão:

  • Capacidade de realizar trocas gasosas mesmo submersas em água;
  • Redução intensa do metabolismo durante a diapausa;
  • Uso de metabolismo anaeróbico como fonte adicional de energia;
  • Recuperação fisiológica rápida após a retirada da água.


Esses resultados indicam uma adaptação biológica que pode ser crucial para a sobrevivência da espécie.

Dormência profunda ajuda na resistência às condições extremas


Para investigar o fenômeno, cientistas da Universidade de Ottawa coletaram abelhas rainhas e reproduziram em laboratório as condições típicas do inverno. As abelhas foram mantidas em ambientes frios e escuros por várias semanas para induzir o estado de diapausa, simulando o período natural de dormência.

Em seguida, os insetos foram colocados em câmaras experimentais e completamente submersos em água por diferentes intervalos de tempo. Algumas permaneceram submersas por poucas horas, enquanto outras ficaram até oito dias nessa condição.


Durante todo o experimento, os pesquisadores monitoraram a produção de dióxido de carbono, um indicador importante da atividade metabólica. Mesmo embaixo d’água, as abelhas continuaram liberando pequenas quantidades de CO₂, evidenciando que ainda realizavam algum nível de respiração.

Estratégia metabólica garante energia durante a submersão

Apesar dessa respiração limitada, o oxigênio disponível não é suficiente para suprir todas as necessidades energéticas. Por isso, as abelhas recorrem a um mecanismo adicional: o metabolismo anaeróbico, que permite gerar energia sem depender diretamente do oxigênio.

Esse processo leva ao acúmulo de lactato, substância produzida quando o organismo precisa gerar energia em condições de baixo oxigênio.

Quando as abelhas são retiradas da água, ocorre um aumento temporário da atividade metabólica. Nesse momento, o organismo trabalha para eliminar o lactato acumulado e restaurar o equilíbrio fisiológico.

Mistério biológico ainda precisa ser explicado

Embora o estudo tenha confirmado que as abelhas conseguem realizar trocas gasosas durante a submersão, o mecanismo físico exato que permite essa respiração ainda não foi totalmente esclarecido.

Pesquisas futuras deverão investigar como o oxigênio consegue entrar no corpo desses insetos mesmo em ambiente aquático. Entender esse processo pode ampliar o conhecimento sobre adaptações extremas na natureza.

Além disso, essa descoberta reforça a incrível capacidade de resistência das abelhas rainhas, cuja sobrevivência é fundamental para a manutenção das colônias e para o equilíbrio dos ecossistemas.

*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ).

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