Açúcar do futuro mantém o sabor e reduz riscos à saúde
Produzida por bactérias, a tagatose pode revolucionar a forma como adoçamos alimentos
Fala Ciência|Do R7

O consumo excessivo de açúcar está diretamente ligado a doenças metabólicas, ganho de peso e problemas bucais. Por isso, há décadas, a ciência busca alternativas que mantenham o sabor doce sem os efeitos negativos à saúde. Entretanto, uma descoberta recente pode representar um avanço real nesse desafio.
Isso porque pesquisadores desenvolveram uma forma inovadora de produzir tagatose, um açúcar raro que preserva quase totalmente o sabor do açúcar tradicional, mas com impacto metabólico muito menor.
O estudo, publicado na revista científica Cell Reports Physical Science, apresenta um método biossintético altamente eficiente para produzir esse composto, abrindo caminho para uma nova geração de adoçantes mais naturais e funcionais.
O que torna a tagatose diferente dos açúcares comuns
A tagatose é um açúcar que ocorre naturalmente em pequenas quantidades em laticínios e algumas frutas. No entanto, sua presença na natureza é mínima, o que sempre dificultou seu uso em larga escala. Do ponto de vista nutricional, ela se destaca por apresentar cerca de 92% da doçura da sacarose, porém com aproximadamente 60% menos calorias.
Além disso, seu efeito sobre o organismo é distinto. A maior parte da tagatose não é absorvida no intestino delgado, sendo fermentada pelas bactérias intestinais. Como resultado, ela provoca baixo impacto nos níveis de glicose e insulina, característica especialmente relevante para pessoas com diabetes ou resistência à insulina.
Bactérias como aliadas na produção do novo açúcar
O grande avanço do estudo está na forma de produção. Cientistas utilizaram bactérias geneticamente modificadas para transformar glicose comum em tagatose com altíssima eficiência. Esse processo usa enzimas específicas capazes de redirecionar vias metabólicas naturais, permitindo que a glicose seja convertida em galactose e, posteriormente, em tagatose.
Com essa abordagem, o rendimento do processo chegou a até 95%, superando amplamente os métodos industriais tradicionais. Isso reduz custos, aumenta a viabilidade comercial e torna o açúcar raro acessível para aplicações alimentícias em grande escala.
Benefícios além da redução calórica

Além de menos calórica, a tagatose apresenta outros potenciais benefícios à saúde. Estudos indicam que ela pode inibir o crescimento de bactérias associadas à cárie, contribuindo para a saúde bucal. No intestino, sua fermentação pode favorecer microrganismos benéficos, sugerindo um possível efeito prebiótico.
Outro ponto relevante é sua classificação como segura para consumo, reconhecida por órgãos regulatórios, o que facilita sua aplicação em alimentos, bebidas e produtos voltados ao público geral.
Um açúcar que funciona na cozinha
Diferentemente de adoçantes intensos, a tagatose atua como adoçante de volume, mantendo características físicas importantes do açúcar comum. Ela carameliza quando aquecida, contribui para textura e estrutura de receitas e se comporta bem em produtos assados, sobremesas e bebidas.
Descoberta pode mudar o mercado
O estudo intitulado Reversão da via de Leloir para promover a síntese de galactose e tagatose a partir da glicose, assinado por Aaron M. Love et al, mostra que essa estratégia pode ser aplicada também à produção de outros açúcares raros.
Com isso, a indústria alimentícia pode estar diante de uma mudança estrutural, oferecendo produtos mais saudáveis sem abrir mão do sabor que os consumidores já conhecem.













