Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

África está se partindo lentamente e pode formar novo oceano

Região de Afar revela processo geológico ativo que pode transformar o continente ao longo de milhões de anos

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Continente africano se rompe lentamente sob calor extremo (Imagem: TrueCreatives via Canva) Fala Ciência

A ideia de continentes se fragmentando pode parecer cenário de ficção, mas esse processo está acontecendo neste exato momento. No nordeste da África, a região de Afar revela um fenômeno geológico raro: a separação gradual de placas tectônicas que, no futuro, poderá dar origem a um novo oceano.

Embora soe dramático, esse processo ocorre em uma escala de tempo extremamente lenta, ao longo de milhões de anos. Ainda assim, ele oferece aos cientistas uma oportunidade única de observar, em terra firme, etapas iniciais da formação de um oceano, algo que normalmente acontece escondido sob o fundo marinho. Entre os principais aspectos desse fenômeno:


  • Encontro de três placas tectônicas em separação;
  • Formação de grandes fissuras na crosta terrestre;
  • Ascensão de material quente do interior do planeta;
  • Possível criação de uma nova bacia oceânica no futuro.

Um laboratório natural sob calor extremo


A região de Afar é uma das mais quentes e inóspitas do planeta, com temperaturas que podem ultrapassar 50 °C. Nesse ambiente extremo, destaca-se o vulcão Erta Ale, conhecido por seu lago de lava persistente.

Do ponto de vista científico, essa área funciona como um verdadeiro laboratório natural. Isso porque abriga uma junção tripla onde três sistemas de fenda, incluindo o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, estão se afastando lentamente.


Esse afastamento permite que o manto terrestre suba à superfície, enfraquecendo a crosta e facilitando sua fragmentação. Com o tempo, esse processo pode evoluir até a formação de um novo oceano.

Uma “pluma” que pulsa sob a crosta


Fenda na África revela nascimento de um futuro oceano (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Pesquisas recentes indicam que há uma pluma mantélica, uma coluna de material quente que sobe do interior da Terra, sob a região de Afar. Esse fluxo não é estático: ele apresenta variações dinâmicas, quase como um “pulso”, influenciando o ritmo e o padrão de separação das placas.

Essa descoberta sugere que o interior da Terra é mais complexo do que se imaginava. A interação entre a pluma e as placas tectônicas pode explicar por que diferentes partes da região se abrem em velocidades distintas.

Um processo lento, mas transformador

Apesar da intensidade geológica, o movimento das placas é extremamente lento, variando de poucos milímetros por ano. Para efeito de comparação, esse deslocamento pode ser mais lento que o crescimento das unhas humanas.

Ainda assim, ao longo de milhões de anos, esse movimento acumulado é capaz de transformar completamente a geografia do planeta. Vale destacar que nem todo processo de separação continental chega ao fim; alguns podem estagnar antes de formar um oceano.

Uma janela para o passado e o futuro

Além da geologia, a região de Afar também é rica em fósseis, incluindo registros importantes da evolução humana. Esse contexto torna a área ainda mais valiosa para a ciência, pois conecta mudanças geológicas profundas com a história da vida na Terra.

Dessa forma, o fenômeno observado não representa um risco imediato, mas sim uma oportunidade científica extraordinária. Ele permite compreender melhor como continentes se formam, se fragmentam e evoluem, revelando que o planeta está em constante transformação, mesmo que imperceptível no nosso dia a dia.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.