Água engarrafada pode conter mais microplásticos do que a da torneira
Nova pesquisa mostra que algumas águas engarrafadas concentram mais plásticos invisíveis que a água tratada
Fala Ciência|Do R7

A água que muitos consideram mais segura pode, na prática, estar trazendo um problema oculto. Um novo estudo científico indica que algumas marcas de água engarrafada apresentam níveis mais elevados de microplásticos e nanoplásticos do que a própria água da torneira tratada. A descoberta desafia uma percepção comum e levanta questões importantes sobre consumo, saúde e poluição ambiental.
Os microplásticos são fragmentos minúsculos de plástico formados pela degradação de materiais maiores, enquanto os nanoplásticos são ainda menores, invisíveis a olho nu e potencialmente mais perigosos. Essas partículas já foram encontradas em solos, alimentos, oceanos e agora, de forma cada vez mais evidente, na água potável.
Para investigar esse cenário, pesquisadores analisaram amostras de água de estações de tratamento e de diferentes marcas de água engarrafada. O resultado foi surpreendente: a água engarrafada apresentou, em média, três vezes mais nanoplásticos do que a água da torneira. Entre os principais achados do estudo, destacam-se:
Como os nanoplásticos podem afetar a saúde a longo prazo
O maior risco dos nanoplásticos está no seu tamanho extremamente reduzido. Por serem microscópicos, eles conseguem atravessar barreiras biológicas, como membranas celulares, podendo circular pela corrente sanguínea e se acumular em tecidos.
Embora os efeitos exatos ainda estejam sendo investigados, estudos já sugerem associação com processos inflamatórios, estresse celular e possíveis impactos no sistema imunológico. Em outras palavras, mesmo sem sintomas imediatos, a exposição crônica pode representar um risco silencioso à saúde.
Embalagem como fonte de contaminação
Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é que grande parte das partículas encontradas na água engarrafada se origina da própria garrafa plástica. O atrito, o calor, o tempo de armazenamento e até o transporte contribuem para a liberação dessas micropartículas no líquido.
Por outro lado, a origem dos plásticos na água da torneira ainda não é totalmente compreendida, mas tende a ser menor graças aos processos de tratamento e filtração.
A pesquisa, publicada na revista Science of The Total Environment, abre espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias de monitoramento e melhorias nos sistemas de tratamento de água. Além disso, reforça uma mensagem prática: reduzir o uso de garrafas plásticas pode ser uma estratégia simples para diminuir a exposição diária a microplásticos.
Assim, paradoxalmente, a água que sai da torneira, muitas vezes vista com desconfiança pode ser, em vários casos, a opção mais segura, sustentável e saudável.














