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Antártida pode mudar para sempre até 2100, alertam cientistas

Cenários extremos revelam futuro preocupante para a Antártida

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Fala Ciência|Do R7

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Antártida pode enfrentar mudanças irreversíveis até 2100 (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A Antártida, frequentemente vista como um território remoto e intocado, está no centro de uma das maiores preocupações da ciência climática. Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Science modelou diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa e revelou como o futuro da Península Antártica pode variar entre mudanças controláveis e transformações irreversíveis até 2100. Os pesquisadores avaliaram três trajetórias de aquecimento global:

  • Baixas emissões: aumento médio de 1,8°C;
  • Emissões médio-altas: elevação de 3,6°C;
  • Emissões muito altas: aquecimento de 4,4°C.


Essas projeções foram aplicadas a oito componentes ambientais, incluindo gelo marinho, plataformas de gelo, ecossistemas terrestres e marinhos, Oceano Antártico, atmosfera e eventos extremos.

Um sistema interligado sob pressão


A Península Antártica é considerada uma das regiões que mais aquecem no planeta. Além disso, funciona como um laboratório natural para observar os efeitos das mudanças climáticas. Segundo os modelos, quanto maior o aquecimento, mais intensos serão os impactos.

Em cenários de emissões elevadas, o Oceano Antártico tende a aquecer mais rapidamente. Como consequência, o gelo flutuante se torna mais vulnerável ao colapso. Esse processo acelera o fluxo de gelo continental para o mar, contribuindo diretamente para a elevação do nível do mar em escala global.


Outro ponto crítico é a possível redução de até 20% da cobertura de gelo marinho. Essa diminuição afetaria organismos fundamentais como o krill, base alimentar de diversas espécies, incluindo o Pinguim-de-adélia. Alterações na cadeia alimentar podem desencadear migrações forçadas e declínio populacional de animais emblemáticos.

Entre danos limitados e perdas permanentes


Por outro lado, o cenário de baixas emissões indica que parte significativa das geleiras e plataformas de gelo poderia ser preservada. O gelo marinho de inverno apresentaria redução moderada, e a contribuição regional para o aumento do nível do mar seria limitada a poucos milímetros.

Entretanto, caso o mundo ultrapasse metas como as estabelecidas no Acordo de Paris, os impactos podem se tornar praticamente irreversíveis em escala humana. A regeneração de geleiras leva séculos, e a perda de biodiversidade pode ser definitiva.

A Antártida não está isolada do mundo

Embora distante geograficamente, a Antártida influencia padrões atmosféricos e correntes oceânicas globais. Mudanças nessa região alteram sistemas climáticos que afetam agricultura, disponibilidade de água e eventos extremos em outros continentes.

Portanto, o estudo reforça uma mensagem central: o futuro da Antártida depende diretamente das escolhas energéticas e ambientais feitas agora. A diferença entre um continente parcialmente preservado e um ecossistema profundamente transformado está vinculada às decisões tomadas nesta década.

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