Anvisa aprova nova indicação da semaglutida após evidências robustas de proteção cardiovascular
Medicamento usado contra obesidade e diabetes agora também mira o coração
Fala Ciência|Do R7

A aprovação recente da semaglutida pela Anvisa para a redução do risco cardiovascular marca uma mudança relevante na forma como doenças crônicas interligadas vêm sendo tratadas. Conhecida por seu papel no controle do peso e do diabetes tipo 2, a substância passa a ocupar um espaço mais amplo na prevenção de eventos graves como infarto e acidente vascular cerebral, especialmente em pessoas com obesidade ou sobrepeso e doença cardiovascular estabelecida.
A decisão regulatória se apoia em evidências clínicas robustas, que mostram benefícios cardiovasculares consistentes quando o medicamento é utilizado como parte de uma estratégia que inclui dieta hipocalórica e aumento da atividade física.
Avanço além do controle do peso
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, hormônio envolvido na regulação do apetite e do metabolismo da glicose. Embora a perda de peso seja um de seus efeitos mais conhecidos, estudos recentes indicam que seus benefícios cardíacos não dependem exclusivamente da redução de peso corporal.
Uma análise do estudo SELECT, publicada em 2025 na revista científica The Lancet, demonstrou que o uso da semaglutida esteve associado à redução de eventos cardiovasculares maiores, mesmo quando a perda de peso foi modesta. Esse achado reforça a ideia de que o medicamento atua por mecanismos adicionais, possivelmente ligados à redução da gordura visceral, à melhora do perfil metabólico e a efeitos anti-inflamatórios sistêmicos.
O que o estudo SELECT revelou
O estudo SELECT avaliou adultos com doença cardiovascular prévia e índice de massa corporal igual ou superior a 27, comparando semaglutida e placebo. Os resultados mostraram:
Esses dados ampliam a compreensão sobre o papel do GLP-1 no sistema cardiovascular e ajudam a explicar por que a semaglutida se diferencia dentro dessa classe de medicamentos.
Impacto clínico e novas possibilidades terapêuticas
Além da nova indicação cardiovascular, o uso da semaglutida também foi ampliado para pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, com evidências de redução da progressão da insuficiência renal e de eventos cardiovasculares associados.
Outros estudos apontam benefícios adicionais, como a redução da inflamação hepática em quadros de gordura no fígado, condição que pode evoluir para doenças graves se não tratada adequadamente.
Como a semaglutida age no organismo
A substância imita a ação do GLP-1, hormônio produzido no intestino que atua no cérebro reduzindo o apetite e aumentando a saciedade. Diferentemente do GLP-1 natural, a semaglutida é resistente à degradação pela enzima DPP-4, o que prolonga seu efeito no organismo.
O estudo STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, já havia demonstrado que a semaglutida na dose de 2,4 mg promove perda de peso média significativa, reforçando sua eficácia metabólica.
Uso deve ser sempre acompanhado
Apesar dos benefícios, a semaglutida não é uma solução isolada. Seu uso deve estar integrado a um plano terapêutico individualizado, com acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e monitoramento contínuo da saúde cardiovascular e metabólica.














