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Apenas 10 minutos de atividade física ativam defesa anticâncer, revela pesquisa

Treino intenso já é capaz de ativar mecanismos celulares protetores

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Atividade física freia genes ligados ao câncer. (Foto: Maridav via Canva) Fala Ciência

Poucas pessoas imaginam que apenas 10 minutos de exercício intenso possam desencadear respostas biológicas profundas no organismo. No entanto, evidências recentes mostram que um esforço físico breve é suficiente para ativar mecanismos celulares ligados à proteção contra o câncer, especialmente no intestino.

Um estudo conduzido por Samuel T. Orange et al., publicado no International Journal of Cancer, demonstrou que o exercício intenso altera rapidamente a composição molecular do sangue, criando um ambiente menos favorável ao crescimento tumoral.


O sangue como mensageiro biológico

Logo após uma sessão curta e vigorosa de atividade física, o sangue passa a carregar moléculas bioativas capazes de modular o funcionamento celular. Essas substâncias atuam como sinais químicos que alcançam diferentes tecidos, inclusive células de câncer de intestino.


Quando expostas a esse soro pós exercício, células tumorais apresentaram mudanças expressivas na atividade genética. Mais de 1.300 genes tiveram seu funcionamento alterado, incluindo aqueles relacionados a:

  • Reparo de danos ao DNA
  • Metabolismo energético
  • Controle da divisão celular
  • Supressão de sinais de crescimento tumoral


Esse conjunto de respostas ajuda a explicar por que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver câncer ao longo da vida.

Reparo do DNA e freio na proliferação celular


Treino rápido ativa reparo do DNA. (Foto: Liandra Design via Canva) Fala Ciência

Entre os efeitos mais relevantes observados está a ativação de genes responsáveis pela correção de lesões no DNA, um fator crucial na prevenção do câncer. O exercício também reduziu a atividade de genes associados à multiplicação rápida das células, tornando o comportamento tumoral potencialmente menos agressivo.

Além disso, houve estímulo ao metabolismo mitocondrial, melhorando a eficiência no uso de oxigênio e energia. Esse equilíbrio metabólico contribui para um ambiente celular mais estável e menos propício a mutações perigosas.

Resultados surpreendentes

O estudo avaliou 30 voluntários, homens e mulheres entre 50 e 78 anos, todos com sobrepeso ou obesidade. Após um teste intenso de ciclismo com cerca de 10 minutos, amostras de sangue revelaram aumento de 13 proteínas, incluindo a interleucina-6 (IL-6), envolvida tanto no controle inflamatório quanto no reparo genético.

Esses achados reforçam que não é necessário longos treinos para obter benefícios biológicos relevantes. Até mesmo uma sessão isolada já é capaz de enviar sinais positivos ao organismo.

Implicações para prevenção e terapias futuras

Além de fortalecer a prevenção, os resultados abrem caminho para o desenvolvimento de terapias inspiradas nos efeitos do exercício, capazes de potencializar o reparo do DNA e interferir nos circuitos metabólicos do câncer.

Pesquisas futuras devem investigar se sessões repetidas geram efeitos duradouros e como essas respostas interagem com tratamentos tradicionais, como quimioterapia e radioterapia.

Enquanto isso, fica a dica: movimentar-se, mesmo por poucos minutos, pode ativar defesas profundas do corpo.

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