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Ariane 64: Europa lança seu foguete mais poderoso para competir com a SpaceX

O Ariane 64 marca um salto tecnológico que redefine a autonomia espacial da Europa

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Ariane 64 estreia e reforça a autonomia espacial da Europa (Imagem: ESA) Fala Ciência

A contagem regressiva para o lançamento do Ariane 64 representa mais do que um evento técnico: trata-se de um marco estratégico para a independência espacial da Europa. Com capacidade inédita de carga e arquitetura otimizada, o novo foguete inaugura uma fase em que o continente busca reduzir sua dependência de serviços estrangeiros e competir diretamente no mercado global de lançamentos.

Além disso, o Ariane 64 simboliza uma resposta concreta ao crescimento acelerado de constelações de satélites, que exigem veículos cada vez mais potentes, confiáveis e economicamente viáveis.


Em termos práticos, o que torna o Ariane 64 diferente?

Logo de início, o novo modelo se destaca por integrar quatro propulsores auxiliares, que praticamente dobram sua potência em relação à versão anterior. Isso permite o transporte de cargas mais pesadas e múltiplos satélites em uma única missão. Entre os principais diferenciais do Ariane 64, destacam-se:


  • Altura aproximada de 62 metros, equivalente a um prédio de 20 andares;
  • Motor principal Vulcain 2.1, alimentado por hidrogênio e oxigênio líquidos;
  • Capacidade de liberar dezenas de satélites em órbita baixa;
  • Redução de até 50% nos custos operacionais em comparação ao Ariane 5.

Como resultado, o foguete se torna uma plataforma essencial para grandes constelações de internet via satélite, incluindo projetos comerciais de larga escala.


Uma cadeia industrial distribuída por toda a Europa

O desenvolvimento do Ariane 64 é fruto de uma cooperação entre 13 países europeus, envolvendo mais de 600 empresas especializadas. Cada componente do foguete é produzido em diferentes regiões do continente e posteriormente transportado para a base de lançamento na Guiana Francesa.


Esse modelo colaborativo fortalece a soberania tecnológica europeia e, ao mesmo tempo, gera impactos diretos na economia, na inovação industrial e na formação de mão de obra altamente qualificada.

Testes extremos e engenharia de precisão

Antes de voar, os motores passam por testes em condições quase reais de lançamento, com ignições completas em estruturas reforçadas. Esses ensaios simulam vibração, pressão, temperatura e consumo de combustível, garantindo máxima confiabilidade.

Esse nível de validação é essencial, pois falhas mínimas podem comprometer missões que custam centenas de milhões de euros e envolvem anos de planejamento científico e comercial.

Mais do que lançar satélites, o Ariane 64 sustenta um objetivo central: garantir acesso independente ao espaço. Em um cenário geopolítico cada vez mais competitivo, depender de empresas estrangeiras para colocar ativos em órbita representa risco tecnológico e econômico.

Além disso, o programa já mira o futuro, com pesquisas voltadas à reutilização parcial de estágios, o que pode reduzir ainda mais custos e aproximar a Europa do modelo de foguetes reutilizáveis.

Portanto, o Ariane 64 não é apenas um novo foguete. Ele representa um salto estrutural na capacidade científica, industrial e estratégica da Europa, consolidando o continente como um ator relevante na nova economia espacial.

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