Bactéria produz energia elétrica com luz UV e abre caminho para novas tecnologias
Nova bioeletrônica promete sensores médicos mais seguros e compatíveis com o corpo
Fala Ciência|Do R7

Imagine um material biológico capaz de gerar eletricidade apenas com luz e sem qualquer componente químico ou metal. Essa realidade começou a surgir em laboratórios na Índia, onde pesquisadores do Instituto de Nanociência e Tecnologia (INST), em Mohali, investigaram proteínas bacterianas com estruturas altamente organizadas. Os experimentos mostraram que, sob luz ultravioleta, essas proteínas produzem corrente elétrica detectável, revelando propriedades semicondutoras intrínsecas.
O estudo, publicado na revista Chemical Science, demonstra que o segredo não está apenas na composição química, mas na auto-organização das proteínas, formando filmes que permitem o deslocamento coordenado de elétrons. Este fenômeno pode inspirar novos dispositivos bioeletrônicos, especialmente para monitoramento de sinais biológicos em humanos.
Como a proteína gera corrente elétrica?
A explicação científica envolve a presença de tirosina, um aminoácido que libera elétrons quando estimulado por luz UV. Quando as proteínas se organizam em camadas ordenadas, esses elétrons e prótons se movimentam de forma coordenada, produzindo um sinal elétrico funcionalmente similar a células solares microscópicas.
Perspectivas para sensores médicos e dispositivos vestíveis

O potencial desses materiais é significativo, especialmente para tecnologias compatíveis com o corpo humano. Entre as aplicações exploratórias estão sensores implantáveis para monitoramento biológico contínuo, dispositivos vestíveis capazes de detectar radiação UV na pele e sensores temporários ou descartáveis voltados para uso ambiental ou clínico.
Uma das principais vantagens desses materiais é sua biocompatibilidade, o que pode reduzir problemas de rejeição ou irritação em comparação com eletrônicos tradicionais.
Desafios e próximos passos para a bioeletrônica bacteriana
Apesar do entusiasmo, os resultados ainda são laboratoriais e dependem de avanços para aplicações práticas, incluindo a integração com circuitos eletrônicos convencionais, a avaliação de estabilidade e durabilidade fora do laboratório e a realização de testes sob diferentes condições de luz e ambiente.
Portanto, embora promissor, o caminho até o desenvolvimento de produtos médicos ou comerciais é longo, mas o estudo amplia de forma significativa o conhecimento sobre materiais bioeletrônicos.














