Cães agem como crianças ao ajudar humanos, mostra estudo
Estudo mostra que cães apresentam comportamento pró-social semelhante ao de crianças pequenas
Fala Ciência|Do R7

Se você já sentiu que seu cachorro “entende” quando algo está errado, a ciência pode explicar essa impressão. Uma pesquisa recente indica que, diante de um problema simples, cães tendem a ajudar espontaneamente seus tutores, comportamento que se aproxima ao observado em crianças pequenas, algo que não foi visto com a mesma intensidade em gatos.
O estudo foi publicado na revista científica Animal Behaviour por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd. A equipe comparou três grupos: cães de companhia sem treinamento específico, gatos domésticos e crianças entre 16 e 24 meses. O experimento seguiu um roteiro simples e controlado:
O objetivo era avaliar o chamado comportamento pró-social espontâneo, isto é, ações realizadas para beneficiar outro indivíduo sem ganho imediato.
Resultados que chamam atenção
Os dados mostraram que mais de 75% dos cães e das crianças indicaram ou recuperaram o objeto. Muitos alternavam o olhar entre o tutor e o item escondido, aproximavam-se dele ou o levavam até o adulto. Esse padrão sugere uma forte motivação para colaborar, mesmo quando o objeto não tinha qualquer relevância para eles.
Já os gatos apresentaram uma resposta diferente. Embora estivessem atentos à situação, raramente intervieram. A exceção ocorreu quando o item escondido era algo de seu interesse direto, como alimento ou brinquedo.
Evolução explica a diferença?
Segundo a interpretação dos pesquisadores, a resposta está na história evolutiva de cada espécie. Os cães descendem de ancestrais altamente sociais e passaram por milhares de anos de seleção ao lado dos humanos. Nesse processo, habilidades como leitura de gestos, sensibilidade emocional e cooperação foram favorecidas.
Os gatos, por outro lado, têm origem em ancestrais mais solitários. Sua domesticação ocorreu de forma menos direcionada à colaboração com pessoas. Assim, apesar de criarem vínculos afetivos, não foram moldados para agir prontamente diante de dificuldades humanas.
Independência não é indiferença
É fundamental destacar que os resultados não indicam que gatos sejam menos afetuosos ou incapazes de empatia. Em vez disso, sugerem que apresentam maior autonomia comportamental. Quando não percebem benefício direto, tendem a observar em vez de agir.
Ao comparar espécies que compartilham nossos lares, o estudo amplia a compreensão sobre a evolução da cooperação. E talvez explique por que, quando precisamos de ajuda, muitos cães parecem estar sempre prontos para oferecer uma pata amiga.














