Café em excesso pode impactar seu cérebro e intestino, aponta pesquisa
Estudo revela que a bebida pode ir muito além da energia e afetar corpo e mente
Fala Ciência|Do R7

Para muita gente, o café é quase automático na rotina. Ele desperta, melhora o foco e parece inofensivo. No entanto, um estudo recente publicado na Nature Communications, liderado por Serena Boscaini em abril de 2026, mostra que o consumo frequente, especialmente em excesso, pode provocar mudanças profundas no organismo.
E essas mudanças não ficam só na disposição. Elas atingem diretamente o intestino e o cérebro.
Um diálogo invisível dentro do seu corpo
O estudo mergulhou no chamado eixo microbiota-intestino-cérebro, uma conexão direta entre o que acontece no intestino e o funcionamento da mente.
Na prática, isso significa que o café pode:
Os pesquisadores observaram que pessoas que consomem café regularmente apresentam um perfil diferente de microbioma intestinal, com aumento de algumas bactérias específicas e redução de compostos importantes para o equilíbrio do organismo.
O café pode estar influenciando suas reações
Um dos achados mais curiosos foi o impacto no comportamento.
Comparados aos não consumidores, quem bebe café com frequência apresentou:
Enquanto isso, pessoas que não consumiam café tiveram melhor desempenho em testes de memória.
Isso sugere que o café pode influenciar o cérebro de maneiras mais complexas do que apenas “dar energia”.
Nem tudo gira em torno da cafeína
Um ponto importante do estudo é que os efeitos observados não dependem apenas da cafeína.
Durante a pesquisa, os participantes passaram por fases com:
Mesmo o café descafeinado foi capaz de provocar alterações no intestino e no corpo. Isso indica que outros compostos da bebida, como os polifenóis, também desempenham um papel relevante.
O corpo responde rápido, para o bem e para o mal
Outro detalhe que chama atenção é a velocidade dessas mudanças.
Após cerca de duas semanas sem café:
Quando o café foi reintroduzido, as alterações reapareceram rapidamente.
Ou seja, o organismo responde de forma dinâmica ao consumo, especialmente quando ele é frequente ou em excesso.
Então, o café é vilão?
Não necessariamente. O próprio estudo reforça que o café já foi associado, em outras pesquisas, a benefícios como redução de risco de algumas doenças.
O ponto central aqui é outro:
o efeito do café é amplo e depende da quantidade e da frequência.
Consumir de forma exagerada pode:
Um hábito comum com efeitos que passam despercebidos
O estudo da Nature Communications (Serena Boscaini, 2026) mostra que o café não age apenas como estimulante.
Ele pode ser um verdadeiro modulador do organismo, capaz de afetar:
Por isso, mais do que cortar ou exagerar, o ideal é observar como seu corpo reage.
Afinal, aquele cafezinho do dia a dia pode estar fazendo muito mais do que você imagina.













