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Café noturno pode afetar o cérebro e elevar impulsividade feminina

Estudo sugere que o horário do consumo de cafeína pode influenciar o autocontrole e o comportamento impulsivo

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Café à noite pode aumentar impulsividade. (Foto: Pixabay via Canva) Fala Ciência

O café é parte da rotina de milhões de pessoas no mundo, mas um novo estudo sugere que o horário em que ele é consumido pode ser tão importante quanto a quantidade. De acordo com uma pesquisa recente, tomar cafeína à noite pode aumentar a impulsividade e reduzir o autocontrole, especialmente em mulheres.

Esses efeitos chamam atenção porque vão além do simples estado de alerta, indicando que a substância pode interferir diretamente em padrões comportamentais.


O que a ciência investigou sobre a cafeína

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas em El Paso e publicado na revista científica iScience (2025), com autoria principal de Erick Saldes.


Para entender o impacto da cafeína no comportamento, os cientistas utilizaram moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster), um organismo amplamente usado em pesquisas por compartilhar mecanismos biológicos relevantes com humanos, especialmente no sistema nervoso.

A análise focou em três variáveis principais:


  • horário de consumo da cafeína
  • dose administrada
  • influência da privação de sono

Cafeína noturna e perda de autocontrole


Os resultados mostraram um padrão claro. Quando a cafeína foi consumida durante a noite, houve um aumento significativo de comportamentos impulsivos. As moscas apresentaram maior dificuldade em interromper ações mesmo diante de estímulos desagradáveis, indicando redução no autocontrole.

Em contraste, quando a cafeína foi ingerida durante o dia, esse efeito não foi observado com a mesma intensidade.

Isso sugere que o ritmo biológico desempenha um papel essencial na forma como o organismo responde à cafeína.

Impulsividade e tomada de decisão alterada

Outro ponto importante foi o impacto no comportamento motor. As moscas expostas à cafeína noturna apresentaram maior dificuldade em inibir movimentos, mesmo quando deveriam reagir a estímulos negativos.

Na prática, isso indica uma possível alteração nos mecanismos cerebrais responsáveis por:

  • controle de impulsos
  • tomada de decisão
  • resposta a estímulos de risco

Esses fatores são essenciais para manter comportamentos equilibrados no dia a dia.

Diferenças entre homens e mulheres no estudo

Mulheres podem ser mais sensíveis à cafeína noturna. (Foto: Pexels via Canva) Fala Ciência

Um achado relevante foi a diferença entre os sexos. Embora os níveis de cafeína no organismo fossem semelhantes, as fêmeas apresentaram respostas mais intensas em termos de impulsividade.

Isso indica que fatores além dos hormônios humanos podem influenciar essa sensibilidade, como mecanismos genéticos e fisiológicos ainda pouco compreendidos.

Esse ponto levanta uma questão importante: o impacto da cafeína pode não ser igual para todos.

Possíveis impactos na vida real

As descobertas podem ter implicações para pessoas que consomem cafeína à noite de forma frequente, especialmente:

  • trabalhadores noturnos
  • profissionais da saúde em plantões
  • equipes de emergência
  • pessoas com rotina de sono irregular

Embora o estudo tenha sido realizado em moscas, os mecanismos neurológicos analisados ajudam a levantar hipóteses importantes sobre o comportamento humano.

O papel do horário no efeito da cafeína

De forma geral, os resultados reforçam uma ideia simples, mas muitas vezes ignorada: não é apenas o que consumimos, mas também quando consumimos.

A cafeína continua sendo uma das substâncias psicoativas mais usadas no mundo, mas seu impacto pode variar de acordo com o relógio biológico.

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