Carnaval intensifica a transmissão do vírus Epstein-Barr, veja como se prevenir
Entenda os fatores biológicos envolvidos nesse período do ano
Fala Ciência|Do R7

Eventos de grande interação social alteram temporariamente a dinâmica de transmissão de agentes infecciosos. Durante o Carnaval, o aumento do contato físico próximo e da troca de saliva favorece a circulação de vírus comuns na população, mas nem sempre percebidos como um risco imediato. Entre eles, o vírus Epstein-Barr merece atenção por estar diretamente associado à mononucleose infecciosa, uma condição que pode provocar sintomas prolongados e impacto sistêmico significativo, especialmente em jovens e adultos.
O vírus Epstein-Barr e sua principal via de transmissão
O vírus Epstein-Barr (EBV) pertence à família dos herpesvírus e infecta grande parte da população ao longo da vida. Na maioria dos casos, o contato ocorre de forma assintomática, mas em outros resulta no desenvolvimento da mononucleose infecciosa, popularmente chamada de doença do beijo.
A transmissão acontece principalmente por contato direto com a saliva, seja por meio de beijos ou pelo compartilhamento de copos, garrafas, latas, canudos e outros objetos levados à boca. No Carnaval, esse padrão de exposição se intensifica, aumentando a probabilidade de infecção mesmo entre pessoas sem sintomas aparentes.
Como a dinâmica do Carnaval contribui para a disseminação viral
Durante os dias de folia, fatores comportamentais se combinam para criar um ambiente favorável à disseminação do EBV. A elevada rotatividade de contatos, o consumo de bebidas compartilhadas e a proximidade física constante ampliam a chance de exposição repetida à saliva contaminada.
Além disso, o período de incubação do vírus pode fazer com que os sintomas surjam apenas dias ou semanas após o Carnaval, dificultando a associação imediata entre a infecção e a exposição ocorrida durante a festa.
Sintomas e impacto no organismo

A mononucleose infecciosa costuma se manifestar com febre persistente, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios do pescoço, fadiga acentuada e mal-estar prolongado. Em parte dos casos, há envolvimento de órgãos como fígado e baço, o que exige repouso físico e acompanhamento clínico para evitar complicações.
Mesmo sendo uma infecção autolimitada, o cansaço residual pode persistir por semanas, interferindo na rotina e no desempenho físico e mental.
Manifestações na boca, na pele e na imunidade
Durante a infecção, a resposta imunológica pode favorecer o aparecimento de aftas, inflamações da mucosa oral, ressecamento dos lábios e pequenas fissuras, que aumentam o desconforto e o risco de infecções secundárias. Também podem surgir manchas avermelhadas e erupções cutâneas, especialmente quando há uso inadequado de antibióticos que não atuam contra vírus.
Essas manifestações costumam ser transitórias e desaparecem com a recuperação clínica.
A relevância clínica da mononucleose infecciosa é sustentada por evidências científicas recentes. Um estudo publicado em 2025 no Journal of Infection and Chemotherapy demonstrou que a infecção associada ao vírus Epstein-Barr provoca alterações imunológicas e laboratoriais significativas, reforçando que se trata de uma condição sistêmica com impacto real na saúde, especialmente em jovens (Matsuura, Epstein-Barr virus-associated infectious mononucleosis exhibits substantially higher non-treponemal test titers in biological false-positive reactions, 2025, DOI: 10.1016/j.jiac.2025.102738).
Veja como se prevenir durante a folia
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de transmissão do EBV:
O Carnaval intensifica comportamentos que favorecem a transmissão do vírus Epstein-Barr, mas a prevenção é possível com atitudes simples e conscientes. Com informação e cuidado, é possível aproveitar a festa sem comprometer a saúde nos dias e semanas seguintes.














