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Cavaleiro medieval de 600 anos tinha síndrome de Crouzon, doença genética rara

Restos mortais de cavaleiro espanhol revelam síndrome rara jamais documentada

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Crânio de T4.2 exibido em vista frontal reconstruída (Imagem: Rissech et al, Heritage (2025), CC BY 4.0) Fala Ciência

Uma descoberta arqueológica recente na Espanha revelou um achado sem precedentes: os restos mortais de um cavaleiro da Ordem de Calatrava, datado entre os séculos XII e XV, apresentavam sinais de uma condição genética extremamente rara, a síndrome de Crouzon. O que chama atenção é que, até hoje, esta síndrome só havia sido identificada em bebês, tornando este caso único em adultos.

O estudo do esqueleto, publicado na revista Heritage, mostrou que, embora os ossos em geral não apresentassem alterações significativas, o crânio se destacava pelo formato estreito e alongado, característico da craniossinostose, condição em que as suturas cranianas se fecham precocemente, alterando a forma da cabeça.


Detalhes que revelam a vida do cavaleiro

Restos do esqueleto T4.2 encontrados no cemitério do Pátio dos Condes, castelo de Zorita de los Canes (Imagem: Rissech et al, Heritage (2025), CC BY 4.0) Fala Ciência

A análise morfológica dos ossos permitiu reconstruir aspectos da vida deste homem medieval:


  • Tamanho do crânio: 23 cm de comprimento por 12 cm de largura;
  • Indícios de cavaleiro: marcas de inserção de músculos do braço compatíveis com equitação e treinamento militar;
  • Lesões de batalha: ferimentos penetrantes na têmpora e nuca, além de contusões na tíbia, sugerindo morte em combate;
  • Dificuldades físicas: mandíbula danificada e perda dentária parcial, possivelmente exigindo ajuda em tarefas cotidianas.

Apesar dessas limitações, o indivíduo aparentemente conseguia montar a cavalo e lutar, confirmando sua participação ativa na Ordem de Calatrava, que tinha como missão combater os muçulmanos na Espanha medieval.


Descoberta arqueológica evidencia impacto da síndrome de Crouzon

A síndrome de Crouzon é uma condição genética rara que não afeta significativamente a cognição ou a expectativa de vida, mas altera a morfologia craniana. Hoje, tratamentos cirúrgicos podem corrigir a craniossinostose em crianças, mas na Idade Média, tais intervenções eram impossíveis.


Este achado é significativo porque, além de ampliar o conhecimento sobre doenças genéticas em populações históricas, também evidencia como indivíduos com condições raras podiam ter vidas ativas e produtivas mesmo em contextos de guerra e restrições médicas severas.

O estudo, liderado por Carme Rissech e colegas da Universitat Rovira i Virgili, reforça a importância da arqueologia médica e abre caminho para novas pesquisas sobre a interação entre genética, saúde e função social em sociedades históricas.

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