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Cientistas criam catalisador que elimina PFAS usando apenas luz do sol

Tecnologia experimental usa luz solar para degradar poluentes persistentes e pode revolucionar o monitoramento ambiental

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Luz solar pode eliminar os “químicos eternos” (Imagem: Pixabay via Canva) Fala Ciência

Os chamados PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas) são conhecidos como “químicos eternos” porque praticamente não se degradam na natureza. Presentes em panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e cosméticos, esses compostos se acumulam no solo, na água e no organismo humano, levantando preocupações sobre possíveis impactos à saúde a longo prazo.

Agora, uma equipe internacional liderada pela Universidade de Bath desenvolveu um catalisador à base de carbono capaz de usar luz solar para decompor esses poluentes persistentes. O estudo foi publicado na RSC Advances e abre caminho para soluções mais acessíveis e sustentáveis. A proposta chama atenção por três motivos principais:


  • Utiliza energia solar, uma fonte limpa e abundante;
  • Emprega materiais de baixo custo e fácil fabricação;
  • Pode futuramente servir tanto para remediação ambiental quanto para detecção de PFAS.

Luz solar ativa reação que desmonta moléculas de PFAS


O protótipo combina nitreto de carbono grafítico (g-C₃N₄) com um polímero microporoso conhecido como PIM-1. Esse polímero atua como uma espécie de “armadilha molecular”, aproximando os PFAS da superfície ativa do catalisador.

Quando exposto à luz, o material desencadeia reações químicas que quebram as ligações altamente estáveis desses compostos. Como resultado, as moléculas são convertidas em dióxido de carbono e flúor, substâncias consideravelmente menos complexas e mais manejáveis do ponto de vista ambiental.


Além disso, o sistema mostrou eficiência em pH neutro, condição semelhante à encontrada em rios e lençóis freáticos. Isso é particularmente relevante, pois muitos métodos atuais exigem condições químicas extremas, elevando custos e dificultando aplicações em larga escala.

Impacto ambiental e potencial em saúde pública


Os PFAS já foram associados, em diferentes pesquisas, a alterações hormonais, disfunções metabólicas e aumento do risco de alguns tipos de câncer. Embora os efeitos de longo prazo ainda estejam sendo investigados, o consenso científico aponta para a necessidade urgente de controle e monitoramento. Nesse contexto, a nova tecnologia apresenta duas frentes promissoras:

  • Remoção ambiental: possibilidade de tratamento de água contaminada com menor custo energético;
  • Monitoramento portátil: detecção indireta dos PFAS por meio da medição do flúor liberado.

Atualmente em fase de protótipo, a inovação ainda depende de escalonamento industrial. Entretanto, o conceito demonstra que materiais baseados em carbono, combinados à luz solar, podem representar uma virada no combate aos poluentes persistentes.

Portanto, o estudo liderado pela Universidade de Bath reforça que soluções sustentáveis podem surgir da própria química verde e que a energia do sol pode ser uma aliada poderosa na descontaminação do planeta.

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