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Cientistas descobrem aminoácido que pode “cortar energia” de células cancerígenas

Estudo indica que uma versão incomum de aminoácido pode interromper processos vitais de células cancerígenas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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D-cisteína pode atacar câncer sem afetar células saudáveis. (Foto: Grigorita's Images via Canva) Fala Ciência

Uma descoberta científica recente sugere uma nova forma de atacar o câncer de maneira mais seletiva. Pesquisadores identificaram que uma versão “espelho” de um aminoácido chamado cisteína pode enfraquecer células cancerígenas ao interferir em processos essenciais para sua sobrevivência.

O estudo foi publicado em 2025 na revista científica Nature Metabolism e indica que essa molécula pode reduzir o crescimento de certos tumores sem afetar significativamente células saudáveis.


Essa diferença é importante, porque muitos tratamentos atuais contra o câncer atacam qualquer célula que se divide rapidamente. Como consequência, tecidos saudáveis também acabam sendo atingidos, o que explica diversos efeitos colaterais.

Entendendo o que são aminoácidos


Para compreender a descoberta, primeiro é preciso entender o que são aminoácidos.

Essas moléculas funcionam como pequenos blocos que formam as proteínas do corpo. As proteínas participam de praticamente todas as atividades do organismo, desde a construção de tecidos até o funcionamento das células.


Curiosamente, alguns aminoácidos podem existir em duas versões diferentes, chamadas de formas L e D. Elas possuem os mesmos componentes químicos, mas organizados de forma invertida, como se fossem imagens refletidas em um espelho.

No corpo humano, quase todas as proteínas utilizam apenas as formas L desses aminoácidos. As versões D, por outro lado, são pouco usadas pela biologia.


Foi justamente essa característica incomum que chamou a atenção dos cientistas.

Como a molécula age contra as células cancerígenas

Estrutura mostra como D-cisteína bloqueia enzima vital do câncer. (Foto: Joséphine Zangariet al via Nature Metabolism) Fala Ciência

Nos experimentos, os pesquisadores observaram que a D-cisteína, uma versão espelhada da cisteína comum, consegue entrar em algumas células cancerígenas com facilidade.

Depois de entrar na célula, a molécula interfere em um processo essencial para a produção de energia.

Ela bloqueia uma enzima chamada NFS1, localizada nas mitocôndrias, estruturas responsáveis por gerar energia dentro das células.

Quando essa enzima deixa de funcionar corretamente, vários processos importantes são afetados, como:

produção de energia celular
formação de DNA e RNA
capacidade da célula se dividir

Sem esses mecanismos funcionando adequadamente, as células tumorais passam a crescer muito mais lentamente.

Testes em animais mostraram resultados promissores

Para verificar se o efeito também ocorreria em organismos vivos, os cientistas realizaram testes em camundongos com tumores mamários agressivos.

Os resultados mostraram que o crescimento dos tumores diminuiu significativamente após o tratamento com D-cisteína.

Outro ponto importante é que os animais não apresentaram efeitos colaterais relevantes, o que sugere que a substância pode agir de forma mais específica nas células cancerígenas.

O que essa descoberta pode significar no futuro

Apesar dos resultados animadores, ainda são necessários novos estudos para confirmar se essa molécula pode ser utilizada com segurança em humanos.

Se a eficácia for comprovada, a D-cisteína poderá se tornar uma nova estratégia para combater tumores, especialmente aqueles que dependem fortemente de certos processos metabólicos para crescer.

Além disso, essa abordagem reforça uma tendência crescente na pesquisa científica: desenvolver tratamentos cada vez mais precisos, capazes de atingir as células doentes sem prejudicar o restante do organismo.


Autora: Rafaela Lucena – Farmacêutica (CRF-RJ: 13912).
Especialista em saúde e divulgadora científica.

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