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Cigarros aromatizados podem estar atraindo uma nova geração de dependentes 

Aromas, sabores e tecnologia estão tornando os produtos de nicotina mais atraentes para adolescentes 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Vapes atraem jovens, mas não são livres de riscos. (Foto: Adina Matasaru's Images via Canva) Fala Ciência

Coloridos, perfumados e com sabores que lembram frutas, doces e bebidas famosas, os produtos de nicotina estão ganhando espaço entre adolescentes e jovens. O problema é que, por trás dessa aparência mais agradável, especialistas alertam para um risco que continua o mesmo: a dependência de nicotina e suas consequências para a saúde.

Nos últimos anos, a preocupação deixou de estar concentrada apenas nos cigarros tradicionais. Hoje, dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e pods, além de cigarros com aromas e sabores, passaram a ocupar o centro do debate sobre prevenção ao tabagismo. A principal razão é o potencial desses produtos de facilitar a experimentação e atrair novos consumidores ainda na adolescência.


A nova face da dependência de nicotina

Empresas do setor têm desenvolvido produtos projetados para tornar o consumo mais atrativo. Sabores doces, fragrâncias marcantes e apresentações visualmente atraentes podem fazer esses produtos parecerem menos nocivos, aumentando o interesse dos jovens. 


Essa estratégia preocupa autoridades de saúde porque a adolescência é um período marcado por curiosidade, busca por pertencimento social e maior exposição a tendências divulgadas nas redes sociais. Nesse contexto, produtos com sabores diferenciados podem funcionar como uma porta de entrada para o consumo regular de nicotina.

De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) citados pelo INCA, cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem produtos derivados do tabaco nas Américas. Além disso, aproximadamente 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos.


O impacto vai muito além do vício

O consumo de nicotina pode levar à dependência de forma relativamente rápida. Quando o consumo se torna frequente, o organismo passa a exigir doses regulares, dificultando a interrupção do hábito.


Além disso, o tabagismo continua associado a diversas doenças crônicas, incluindo:

Cânceres de diferentes tipos
Doenças cardiovasculares
Diabetes
Doenças respiratórias crônicas

Por esse motivo, a prevenção da iniciação ao consumo é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir os danos causados pelo tabaco ao longo da vida.

Estudo questiona argumentos da indústria

O debate sobre os aditivos de sabor ganhou força após a publicação de um estudo na revista científica Tobacco Control, assinado por André Zsklo e colaboradores em 2026. Após analisar dados do setor, os pesquisadores observaram que uma quantidade expressiva de marcas registradas no país não utilizava os aditivos questionados na Justiça. 

Os resultados sugerem que a produção de cigarros sem aromas e sabores adicionais é tecnicamente viável, contrariando argumentos frequentemente apresentados pelo setor.

Por que os especialistas estão em alerta?

A preocupação atual não se limita aos cigarros convencionais. O mercado vem incorporando novas tecnologias, incluindo produtos com nicotina sintética e diferentes formulações que aumentam a atratividade entre os mais jovens.

Especialistas apontam que esses recursos podem ampliar o número de pessoas expostas à nicotina em uma fase da vida marcada pelo desenvolvimento cerebral e pela formação de hábitos duradouros.

Por isso, órgãos de saúde defendem medidas capazes de reduzir o apelo desses produtos e dificultar a iniciação ao consumo. O objetivo é evitar que sabores, aromas e estratégias de marketing transformem uma nova geração em dependentes de uma substância associada a graves impactos para a saúde pública.

Diante desse cenário, o alerta é claro: apesar da aparência moderna e dos sabores atrativos, produtos que contêm nicotina continuam apresentando riscos importantes, especialmente para adolescentes e jovens.

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