Colisão gigantesca entre dois planetas a 11 mil anos-luz pode ter sido observada
Observações astronômicas sugerem que dois planetas podem ter colidido em um sistema estelar distante
Fala Ciência|Do R7

O universo pode ter revelado recentemente um espetáculo cósmico extremamente raro. Astrônomos acreditam ter detectado sinais de uma colisão violenta entre dois planetas em um sistema estelar localizado a cerca de 11 mil anos-luz da Terra. O evento teria produzido uma enorme nuvem de poeira e detritos incandescentes, capaz de alterar temporariamente o brilho da estrela ao redor.
A descoberta foi liderada por Anastasios Tzanidakis, da Universidade de Washington, e descrita na revista científica The Astrophysical Journal Letters. O fenômeno foi observado ao analisar dados acumulados ao longo de vários anos sobre a estrela Gaia20ehk, um astro da sequência principal, semelhante ao Sol.
Inicialmente, a estrela parecia estável. No entanto, registros astronômicos revelaram mudanças inesperadas em seu brilho. Entre as principais pistas que levaram à hipótese de colisão planetária estão:
Esses sinais sugerem que grandes quantidades de detritos rochosos passaram a orbitar a estrela, bloqueando parte da luz que chega à Terra.
Uma estrela aparentemente comum revelou um evento extraordinário
A estrela Gaia20ehk fica na região da constelação de Puppis e normalmente apresentaria um brilho estável, como ocorre com estrelas semelhantes ao Sol. Entretanto, a análise detalhada de observações arquivadas revelou um comportamento incomum.
Os cientistas perceberam que o fenômeno não era causado pela estrela em si, mas sim por material em órbita que interceptava sua luz. A explicação mais consistente é que dois corpos planetários colidiram violentamente, espalhando rochas vaporizadas e poeira quente pelo sistema.
Quando esses fragmentos passam entre a estrela e a Terra, eles reduzem temporariamente o brilho observado, criando o padrão irregular detectado pelos telescópios.
Luz infravermelha revelou material extremamente quente

Uma das pistas mais importantes veio da comparação entre luz visível e radiação infravermelha.
Enquanto a luminosidade visível diminuía e se tornava instável, os sensores infravermelhos detectaram um aumento significativo de emissão energética. Esse contraste sugere que os detritos gerados na colisão estavam aquecidos a temperaturas muito elevadas, passando a emitir radiação térmica.
Esse tipo de assinatura energética é compatível com impactos planetários de grande escala, capazes de liberar enormes quantidades de calor.
Um possível paralelo com a origem da Lua
Os cientistas também observam que o material parece orbitar a estrela a aproximadamente uma unidade astronômica, distância semelhante à que separa a Terra do Sol.
Esse detalhe levanta uma hipótese intrigante: o evento pode lembrar o impacto colossal que ocorreu há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando um corpo do tamanho de Marte colidiu com a Terra primitiva e originou a Lua.
Com o tempo, a nuvem de detritos ao redor da estrela distante pode se resfriar e se reorganizar, formando novos corpos celestes. Esse processo pode levar desde alguns anos até milhões de anos.
Telescópios do futuro podem revelar mais colisões
Apesar de colisões planetárias provavelmente serem comuns durante a formação de sistemas solares, observá-las diretamente é extremamente difícil. Para serem detectadas, os detritos precisam passar exatamente na linha de visão entre a estrela e os telescópios na Terra.
No entanto, novas gerações de observatórios astronômicos devem ampliar significativamente essas descobertas. O Observatório Vera C. Rubin, por exemplo, poderá identificar dezenas ou até centenas de eventos semelhantes nas próximas décadas. Encontrar mais colisões desse tipo ajudará os cientistas a compreender melhor como planetas se formam, evoluem e, eventualmente, dão origem a mundos capazes de sustentar vida.
*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ).














