Com asas de 1,7 metro, maior morcego do mundo impressiona cientistas
O Pteropus vampyrus alia tamanho extraordinário a um papel ecológico decisivo nas florestas tropicais
Fala Ciência|Do R7

Imagine um animal capaz de cruzar dezenas de quilômetros em uma única noite, carregar sementes por florestas inteiras e ainda ostentar uma envergadura maior que a altura média de um adulto. Esse animal existe, está vivo e desempenha um papel silencioso, porém decisivo, na saúde dos ecossistemas tropicais. Trata-se do Pteropus vampyrus, reconhecido pela ciência como o maior morcego do mundo em envergadura.
Além de impressionar pelo porte, esse morcego frugívoro é um verdadeiro engenheiro ecológico. Sua ausência poderia desencadear efeitos em cascata sobre florestas, biodiversidade e até economias locais.
Para entender por que esse gigante alado é tão relevante, vale destacar alguns pontos-chave logo de início:
Um recordista que redefine o tamanho entre morcegos

Medições morfológicas consistentes mostram que o Pteropus vampyrus supera todas as outras espécies conhecidas quando o critério é envergadura das asas. Seu corpo robusto e musculoso sustenta voos longos, fundamentais para acessar áreas de alimentação espalhadas por grandes territórios.
Outro aspecto marcante é sua aparência: o focinho alongado lembra o de um pequeno mamífero terrestre, adaptação ligada à alimentação baseada em frutos e néctar, e não à caça.
Onde esse gigante alado domina os céus?
Esse morcego habita regiões do Sudeste Asiático, ocupando florestas tropicais, manguezais e áreas arborizadas próximas a rios. Durante o dia, forma grandes colônias em árvores altas; à noite, percorre longas distâncias em busca de alimento.
Essa rotina faz dele um elo móvel entre fragmentos florestais, conectando áreas que, sem sua presença, permaneceriam isoladas.
O papel invisível que mantém florestas vivas

A alimentação baseada em frutas transforma o Pteropus vampyrus em um dos mais eficientes dispersores de sementes da região. Ao se deslocar por dezenas de quilômetros, ele transporta sementes viáveis para novos locais, favorecendo a regeneração natural.
Além disso, ao visitar flores em busca de néctar, contribui para a polinização de espécies nativas e cultivadas, impacto já discutido em revistas como Biological Conservation e Journal of Tropical Ecology.
Ameaças crescentes e importância da conservação
Apesar de sua importância, o maior morcego do mundo enfrenta riscos crescentes. Desmatamento, fragmentação de habitat e conflitos com a agricultura reduziram populações em várias áreas. A perda dessa espécie significaria menos regeneração florestal, menor diversidade vegetal e desequilíbrios ecológicos duradouros.
Por isso, iniciativas de proteção de áreas de descanso e rotas de voo são estratégicas para preservar não apenas o morcego, mas todo o ecossistema que depende dele.
O Pteropus vampyrus prova que tamanho não é apenas curiosidade biológica. Neste caso, é sinônimo de impacto ecológico profundo. Preservar esse gigante alado é, na prática, proteger florestas inteiras e os serviços ambientais que sustentam a vida humana.














