Cometa interestelar 3I/ATLAS libera água longe do Sol e surpreende cientistas
Um visitante interestelar revela que água pode ser comum em sistemas planetários fora do nosso
Fala Ciência|Do R7

A maior parte do que sabemos sobre a formação de planetas vem de objetos que nasceram ao redor do nosso próprio Sol. No entanto, ocasionalmente, a natureza oferece uma oportunidade única: observar diretamente um fragmento de outro sistema estelar atravessando nosso território cósmico. Foi exatamente isso que aconteceu com o cometa interestelar 3I/ATLAS, um corpo raro que entrou no sistema solar trazendo informações inéditas sobre a composição de ambientes planetários distantes.
Durante seu monitoramento, astrônomos identificaram sinais claros de liberação de água, algo detectado por meio da presença de hidroxila (OH) em observações de luz ultravioleta. Essa molécula surge quando a radiação solar interage com o vapor d’água, funcionando como uma assinatura química confiável desse processo.
A partir desses dados, estimou-se que o 3I/ATLAS estava perdendo cerca de 40 quilos de água por segundo, mesmo estando muito distante do Sol. Esse valor é comparável à atividade de cometas já conhecidos do nosso sistema solar, mas ocorre em uma região considerada fria demais para tal fenômeno. Do ponto de vista científico, isso indica que:
Um comportamento que foge do padrão
Em cometas tradicionais, a sublimação da água só se torna relevante quando o objeto se aproxima significativamente do Sol. No caso do 3I/ATLAS, a atividade foi registrada a uma distância quase três vezes maior que a separação entre a Terra e o Sol, o que desafia os modelos clássicos.

A explicação mais plausível envolve a liberação de micropartículas de gelo que se aquecem lentamente e alimentam uma nuvem difusa de vapor. Isso sugere que o núcleo do cometa abriga camadas profundas de material volátil, preservadas desde sua formação em outro sistema estelar.
O que isso revela sobre a vida no universo?
A detecção de água em um objeto formado fora do sistema solar tem implicações diretas para a astrobiologia. A água é considerada um elemento essencial para reações bioquímicas, e sua presença reforça a ideia de que os ingredientes fundamentais da vida podem ser comuns na galáxia.
Cada cometa interestelar já observado apresentou características distintas. Alguns eram pobres em água e ricos em outros gases, enquanto o 3I/ATLAS se destaca pela atividade hídrica intensa, indicando que os processos de formação planetária variam significativamente entre diferentes estrelas.
Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, em estudo liderado por Zexi Xing e Dennis Bodewits. A utilização de telescópios espaciais capazes de captar radiação ultravioleta foi essencial, já que esse tipo de luz é quase totalmente absorvido pela atmosfera terrestre.
Desse jeito, o 3I/ATLAS não é apenas um visitante raro. Ele funciona como uma janela direta para a química de outros sistemas planetários, mostrando que a água, e possivelmente as condições para a vida, podem estar muito mais espalhadas pelo universo do que se imaginava.














