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Corrente oceânica gigante pode ter congelado a Terra de forma inesperada

Nova pesquisa revela como oceanos, ventos e continentes moldaram o clima da Terra

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Corrente antártica pode ter sido chave para resfriar a Terra (Imagem: H.S.Knahl,J.P.Klages,L.Ackermann,K.Hochmuth,L.Niu,N.R.Golledge, &G.Lohmann, Proc. Natl. Acad. Sci. USA 12 Fala Ciência

Uma das forças mais poderosas do planeta pode ter tido um papel decisivo na transformação da Terra em um mundo frio e coberto por gelo. A Corrente Circumpolar Antártica, considerada a mais intensa corrente oceânica do planeta, não surgiu da forma simples que os cientistas imaginavam.

Agora, novas evidências mostram que sua formação dependeu de uma combinação precisa entre movimento dos continentes, abertura de passagens oceânicas e padrões de vento. Esse alinhamento raro não apenas deu origem à corrente, como também contribuiu para uma redução significativa de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.


  • A corrente transporta mais de 100 vezes o fluxo de todos os rios do mundo;
  • Surgiu há cerca de 34 milhões de anos;
  • Influenciou diretamente a queda de CO₂ atmosférico;
  • Contribuiu para o início de um período de resfriamento global.

Quando a Terra mudou de um mundo quente para um planeta gelado


Há aproximadamente 34 milhões de anos, o planeta passou por uma transição climática marcante. Antes dominada por um clima quente, a Terra começou a desenvolver grandes massas de gelo, especialmente na Antártica. Esse período marcou o início de uma nova fase climática, caracterizada por temperaturas mais baixas e pela formação de calotas polares permanentes.

Durante esse processo, os níveis de CO₂ atmosférico eram significativamente mais altos do que os atuais. Ainda assim, mudanças na circulação oceânica ajudaram a retirar parte desse gás da atmosfera, favorecendo o resfriamento global.


O papel decisivo dos continentes e dos ventos

Diferentemente do que se pensava, apenas a abertura de passagens oceânicas não foi suficiente para criar a corrente antártica. O fator determinante foi o afastamento progressivo de continentes, como a Austrália e a América do Sul, permitindo que ventos intensos circulassem livremente ao redor da Antártica.


Simulação mostra proto-corrente antártica, fluxos costeiros e dinâmica oceânica durante o Eoceno-Oligoceno (Imagem: H.S.Knahl,J.P.Klages,L.Ackermann,K.Hochmuth,L.Niu,N.R.Golle Fala Ciência

Com isso, formou-se um fluxo contínuo de água que passou a circundar o continente sem interrupções. Esse movimento não apenas reorganizou os oceanos, mas também alterou a dinâmica climática global.

Além disso, os ventos de oeste desempenharam um papel crucial ao impulsionar essa circulação, demonstrando como a interação entre atmosfera e oceano é essencial para o equilíbrio climático.

Um oceano muito diferente do atual

As simulações indicam que, no início, essa corrente ainda não era completamente estável. Algumas regiões apresentavam fluxos intensos, enquanto outras permaneciam relativamente calmas. Com o tempo, no entanto, o sistema evoluiu até atingir a configuração contínua observada hoje.

Esse desenvolvimento gradual revela que o sistema climático da Terra é altamente dinâmico e depende de múltiplos fatores interligados, incluindo oceano, atmosfera, gelo e relevo continental.

Por que essa descoberta é importante hoje

Compreender como a Corrente Circumpolar Antártica se formou ajuda os cientistas a entender melhor o funcionamento do clima global atual. Isso porque essa corrente continua sendo um dos principais reguladores térmicos do planeta, influenciando a distribuição de calor e a absorção de carbono pelos oceanos.

Além disso, o estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, reforça a importância de analisar o passado para prever cenários futuros, especialmente diante das mudanças climáticas atuais.

Lições do passado para entender o futuro

Em síntese, a formação da corrente oceânica mais poderosa da Terra não foi um evento simples, mas o resultado de uma complexa interação entre fatores geológicos e atmosféricos. Esse processo não apenas moldou o clima do passado, como continua influenciando o planeta até hoje.

Assim, ao investigar essas transformações antigas, a ciência ganha ferramentas valiosas para compreender os desafios climáticos do presente e do futuro.

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